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Governo gera mais otimismo em estrangeiros que economia, diz Ipea

Levantamento mostra que agentes internacionais têm otimismo moderado com relação ao desempenho do Brasil

Klinger Portella, iG São Paulo |

Os agentes internacionais - representações de governo (embaixadas e consulados),
câmaras de comércio, organizações multilaterais, e empresas com controle estrangeiro – estão mais confiantes com o governo, política e instituições brasileiras do que com a economia. Ao menos é o que aponta o Monitor de Percepção Internacional do Brasil, divulgado pela primeira vez nesta quinta-feira, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Os dados serão publicados em edições trimestrais.

Segundo o levantamento, que ouviu 170 entidades, entre os dias 1º e 26 de julho, o índice relativo à economia chegou a 24 pontos (a variação de -100 indica pessimismo extremo e 100 é muito otimista), enquanto governo, política e instituições acumulou 30 pontos. O indicador referente à população teve o pior desempenho, com 7 pontos.

“Os resultados indicam uma avaliação moderadamente otimista ou favorável sobre o Brasil,
uma vez que todos os indicadores temáticos apresentaram valores positivos”, disse o Ipea. Os indicadores foram calculados a partir de um questionário com 15 perguntas de múltipla escolha. Destas, 13 tiveram respostas positivas e duas negativas.

“No quesito economia, a avaliação mais favorável foi dada ao crescimento do Produto
Interno Bruto (PIB)”, afirmou o instituto. “Em relação à edição-piloto da pesquisa, realizada em janeiro de 2010,verificou-se substancial elevação no indicador: de +36 para +59”, completou.

Segundo o levantamento, para 29% dos entrevistados, o crescimento da economia brasileira nos próximos 12 meses deve superar a casa dos 6%. Para 59%, a expansão ficará entre 3,6% e 6%.

Por outro lado, os estrangeiros se mostraram mais pessimistas com relação ao quadro inflacionário. O índice relativo ao indicador caiu de 71 para 21 pontos, com projeções de inflação um pouco acima da meta, próxima a 5,5%.

“Os indicadores relativos às condições gerais de crédito e ao acesso da população a bens de consumo também apresentaram recuo em relação a janeiro, indicando provavelmente a política monetária contracionista dos últimos meses, assim como o fim dos estímulos fiscais à aquisição de bens de consumo duráveis”, disse o Ipea.

Política

No item político-institucional, o Monitor do Ipea captou a percepção de um aumento da influência brasileira na América Latina e em instituições como a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

O indicador da política econômica ficou em 59 pontos – acima dos 50 pontos da pesquisa prévia de janeiro. Para 44%, a condução da política econômica foi ligeiramente favorável ao crescimento econômico com estabilidade, enquanto, para 38%, foi muito favorável.

“O resultado chega a ser surpreendente, dada a frequência com que a mídia tem veiculado reportagens e artigos a respeito de uma suposta deterioração fiscal do Estado brasileiro”, disse o Ipea.

Os agentes internacionais também consideraram uma tendência de queda moderada da pobreza e desigualdade de renda no país. Por outro lado, aumentou a percepção de alta do nível de violência. Para 41% dos entrevistados, houve um incremento moderado e, para 12%, a violência aumentou muito nos últimos 12 meses.
 

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