Buenos Aires, 21 jun (EFE).- O Governo argentino formalizou hoje com o grupo espanhol Marsans a transferência da Aerolíneas Argentinas ao Estado com a prioridade de recuperar seu valor e sem prazos para voltar a privatizá-la.

"O principal objetivo é fixar seu valor para que a empresa volte a ser a que sabemos ter", disse o ministro do Planejamento argentino, Julio de Vido, após ratificar com Gerardo Díaz Ferrán e Gonzalo Pascual, os donos do Marsans, um acordo que tinha sido assinado na quinta-feira passada.

O ministro disse que o Governo "não tem prazos" para voltar a privatizar a companhia aérea, cujo retorno ao setor público deve ser aprovado pelo Parlamento já que a lei de venda de 1991 à espanhola Ibéria proibe seu retorno ao Estado.

O acordo une "a vontade" do Marsans de "vender a totalidade" das ações da Aerolíneas Argentinas (94,41%) e de sua subsidiária de vôos domésticos Austral (97%) e estabelece, a partir de hoje, um prazo de 60 dias para auditar a companhia e fixar seu valor a fim de concretizar a transação.

Uma das cláusulas do acordo inclui o compromisso de avaliar informação "detalhada" sobre os bens e dívidas da companhia, seus contratos com terceiros, além do estado de seus convênios trabalhistas e de sua organização administrativa.

A Aerolíneas Argentinas acumula passivos de US$ 890 milhões, dos quais US$ 220 milhões correspondem a "dívidas exigíveis", informou a companhia na semana passada, em uma audiência judicial solicitada pelo Governo e pelos sindicatos.

As autoridades informaram que desembolsaram cerca de US$ 30 milhões para pagar salários atrasados e para a compra de combustível, entre outras despesas, quando calcula-se que a Aerolíneas e a Austral acumulem perdas de aproximadamente US$ 30 milhões ao mês.

Após afirmar que "não há prazos" para voltar a privatizar a Aerolíneas Argentinas, De Vido apontou que "é um tema que deve ser encarado com seriedade" e "com todos os setores" envolvidos no negócio de aviação e turístico.

"Agora as duas empresas estão nos níveis de eficácia de seus concorrentes" privados, acrescentou De Vido. EFE alm/ab/rr

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