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Governo estuda socorro ao exportador

O governo está analisando a adoção de novas medidas de emergência para socorrer empresas do setor exportador que estejam encontrando dificuldades para captar recursos no mercado externo. A situação dos exportadores foi apresentada ontem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que liberou a equipe econômica para apresentar alternativas capazes de neutralizar a forte restrição nas linhas de crédito externas desde o agravamento da crise financeira nos Estados Unidos, há duas semanas.

Agência Estado |

Os ministros identificaram que o bloqueio do crédito é o que está afetando a economia real do País neste momento. Por isso, o Banco Central (BC) agiu pontualmente e decidiu oferecer dólares ao mercado para desobstruir as operações, por meio da venda associada à compra futura da moeda americana. A medida é importante, mas seu alcance é relativo quando a intenção é garantir crédito para os exportadores.

Como definiu o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, trata-se de uma medida transitória e temporária para restabelecer a liquidez do mercado. Mais: o BC não pode substituir as instituições privadas de crédito e tampouco se converter em um banco de fomento.

O raciocínio que prevaleceu na reunião de ontem com o presidente Lula e os ministros da Fazenda, Guido Mantega, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, foi na direção de se montar uma "engenharia financeira" para garantir os recursos aos exportadores até que a situação nos mercados mundiais volte à normalidade. "É preciso construir uma ponte para esse momento de transição", disse uma fonte.

Os ministros deixaram o gabinete de Lula com a tarefa de identificar quais os canais disponíveis para que o setor possa captar recursos, mesmo que a um custo um pouco mais elevado do que estavam pagando pelas linhas externas.

A preocupação do governo é com o caixa das empresas, embora a orientação seja de se fazer distinção da situação das empresas, separando, por exemplo, casos como o da Sadia e da Aracruz, que se envolveram em operações no mercado de derivativos e amargaram sérios prejuízos com a valorização do dólar.

Até ontem, a moeda norte-americana se valorizou 20,45%. Os técnicos consideram a possibilidade de que muitas empresas estavam se beneficiando do dinheiro obtido com os contratos de Antecipação de Contrato de Câmbio (ACC), geralmente utilizado como capital de giro, para especular no mercado financeiro.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), endossando as preocupações do setor, apresentou ao governo a proposta de utilização de cerca de US$ 20 bilhões das reservas cambiais para nutrir as linhas de crédito comercial.

"É preciso ver de que ACC se está faltando", disse uma fonte do Ministério da Fazenda, se referindo aos casos em que a linha foi utilizada para a especulação financeira. No entanto, há o reconhecimento de que o governo "não pode deixar o mercado parar". O diretor de Política Econômica do Banco Central, Mário Mesquita, evitou comentar a proposta da Fiesp. "O BC não comenta nem antecipa medidas", disse.

Os ministros estudam a viabilidade da medida e alternativas, incluindo recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para assegurar crédito aos exportadores. Maior financiador do comércio exterior, o Banco do Brasil (BB) também sofre com as restrições de linhas externas.

Ao longo dos últimas semanas, o banco teve de reduzir o valor dos lotes de financiamento para as empresas. Dessa forma, com o mesmo volume de recursos disponíveis, o BB consegue atender a um número maior de empresas, mas com taxas mais caras e prazos mais curtos. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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