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São Paulo, 15 - O vice-governador do Estado de São Paulo, Alberto Goldman, disse que o governo paulista está desenvolvendo os seus próprios estudos para desenhar a malha de alcooldutos no Estado, por conta da quantidade de projetos concorrentes que estão sendo elaborados atualmente no setor sucroalcooleiro. Essa é uma forma de evitarmos que cada grupo privado resolva fazer o seu projeto isoladamente, explicou o executivo durante evento de eficiência energética promovido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, em São Paulo.

Segundo Goldman, o governo de São Paulo tentou durante um ano conciliar os interesses dos diversos grupos privados em torno dos projetos de alcooldutos no Estado. "O nosso interesse sempre foi tentar estabelecer um acordo entre as partes, incluindo a Petrobras e os usineiros. Durante um ano, tentei buscar essa aproximação, mas isso não foi possível", comentou o vice-governador, acusando a Petrobras de ter dificultado as conversas.

"A Petrobras tem os seus interesses específicos, que não são nem os interesses do setor privado e nem o interesse do setor público. A Petrobras é uma grande empresa, com grande poder e não leva em conta nada muito além dos seus próprios interesses", criticou Goldman. Por conta dessa situação, o vice-governador disse que o Estado de São Paulo percebeu que os empreendedores começaram a procurar suas próprias alternativas para o transporte do etanol para o atendimento da demanda do mercado interno para a exportação do produto.

Após traçar a malha de alcooldutos para o Estado, a idéia do governo paulista é transferir as obras para grupos privados. "Isso pode ocorrer por meio de autorização ou concessão. O modelo ainda não está definido", explicou Goldman. Segundo o vice-governador, o projeto será totalmente privado, mas com regras, semelhante ao modelo de concessão de rodovias. "Se uma fábrica quiser colocar seu caminhão na estrada, pode fazer isso mediante o pagamento de pedágio. No alcoolduto, queremos o mesmo. Qualquer produtor pode transportar o etanol por duto, desde que pague por isso. Pagando, terá o transporte garantido", explicou.

Dificuldade

Goldman apontou que uma das dificuldades desse processo é a caracterização desse tipo de empreendimento que, do ponto de vista legal, não é um serviço público, como saneamento ou energia elétrica. "O governo de São Paulo será o articulador do projeto e, eventualmente, o poder concedente e regulador", disse o vice-governador. A expectativa do governo paulista é concluir o desenho da malha de dutos e a contratação dos projetos até o final de 2009. "Estamos correndo o máximo possível com esses estudos", afirmou o executivo.

O vice-governador explicou que o transporte do etanol via alcooldutos terá como vantagens garantir a competitividade para todos os produtores no Estado de São Paulo e reduzir o escoamento da produção via caminhões. Atualmente, várias empresas estudam projetos de alcooldutos, como a Petrobras, que tem planos de construir um duto ligando Senador Canedo (GO) ao Estado de São Paulo, e a Uniduto, empresa constituída por empresas como Cosan, São Martinho, Crystalsev, entre outras, para desenvolver uma malha de dutos em território paulista. Por serem empreendimentos paralelos, há o temor no setor de açúcar e álcool que os diversos projetos acabem inviabilizando economicamente uns aos outros.