Araçatuba, SP, 12 - O secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Manoel Vicente Bertone, afirmou hoje que o governo federal estuda medidas de financiamento de estocagem para o setor sucroalcooleiro. Segundo ele, o assunto é avaliado pelos ministros Reinhold Stephanes e Guido Mantega, da Fazenda, além do Banco do Brasil.

"(Recursos para) estocagem podem acontecer agora, pois o Banco do Brasil tem o recurso e estamos estudando o dimensionamento que poderemos liberar para o setor", disse Bertone durante evento em Araçatuba (SP).

O secretário, no entanto, salientou que a prioridade dos recursos liberados pelo governo para ajudar os produtores durante a atual crise de liquidez é para o financiamento da safra de grãos. "A safra agrícola também é prioridade absoluta. Mas existe possibilidade de financiamento (para estocagem) a partir desses recursos", explicou. Bertone lembrou que o setor sucroalcooleiro também é beneficiado por outras políticas do governo para todos os setores, como os recursos de financiamento liberados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e ainda com o retorno dos créditos de exportação, o que beneficiam principalmente as vendas externas de açúcar.

Além das medidas pontuais, o governo avalia ainda a inclusão no orçamento de uma nova linha de financiamento para estocagem de álcool, o que ajudaria usineiros a não venderem os produtos em época de preços baixos. "Procuramos recursos para financiar estocagens para permitir que essas empresas não vendam de forma descoordenada, agressivamente", disse. "Tomamos medidas para o próximo ano, que não vão socorrer o problema pontual. Coisa que irá acontecer para 2010, porque depende do Orçamento", completou.

Bertone não divulgou valores estudados para o auxílio ao setor e citou que a crise enfrentada pelas usinas advém dos problemas de crédito recentes, juntamente com dois anos de preços de açúcar e álcool depreciados. Mas ele salientou que muitas empresas fizeram investimentos com fontes de financiamento inadequadas. "Teve gente que entrou em projeto que matura em dez anos com financiamento de dois anos. O governo não vai conseguir resolver aspectos pontuais, conjunturais e financeiros como esses, que aparecem por causa da crise financeira internacional", afirmou.

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