A queda na demanda mundial por produtos lácteos fará o governo intervir no mercado para evitar novas quedas de preços, o que pode desestimular a produção nos próximos meses e dar fôlego à alta da inflação, um dos grandes temores do Palácio do Planalto. O secretário de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Adoniram Sanches Peraci, disse que os mecanismos de apoio à comercialização de leite em pó devem ser anunciados até o fim desta semana.

De acordo com ele, a idéia é apoiar o escoamento de parte da produção por meio de leilões de Contratos Privados de Opção de Venda (Prop) e de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro). Outra alternativa também é comprar produto por meio de leilões de Aquisição do Governo Federal (AGF). "Não é gasto, é investimento. Esse produto pode ser devolvido para o mercado posteriormente, quando houver necessidade", disse o secretário. Ele calculou que o governo gastará cerca de R$ 200 milhões com os mecanismos de apoio ao setor lácteo. A idéia é retirar produto do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais, duas importantes regiões produtoras.

Com a queda na demanda mundial, o que refletiu diretamente nos preços de exportação, e o aumento da produção interna, o governo estima que há, no País, um excedente de 140 mil toneladas de leite em pó, volume que pode derrubar os preços do produto. Um levantamento apresentado na semana passada em Brasília, durante reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Leite e Derivados, mostra que o custo de produção por litro de leite é de R$ 0,70, mas há lugares em que o produtor não consegue vender por mais de R$ 0,40.

Peraci informou que a política de apoio à comercialização não será restrita ao leite. De acordo com ele, o foco do governo agora é dar condições para comercialização da safra 2008/2009, que está sendo plantada e que será colhida principalmente a partir do ano que vem. "O primeiro desafio, que era elevar a oferta de crédito para garantir o ritmo de plantio, já foi superado", disse.

A partir de agora, explicou ele, a meta é garantir os mecanismos de apoio à comercialização da safra. "Qualquer sobra de produção que não for absorvida pelo setor externo pode representar prejuízo ao agricultor", comentou. De acordo com o secretário, o governo começará a discutir nos próximos dias as alternativas para garantir recursos para a comercialização.

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