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Governo e oposição medem forças na Argentina

Milhares de pessoas participaram nesta terça-feira, em Buenos Aires, de manifestações pró e contra o projeto do governo de aplicar impostos progressivos sobre as exportações de grãos, na véspera da votação da medida no Senado.

AFP |

A manifestação governista reuniu cerca de 90 mil pessoas, diante do Congresso, mas a oposição e o movimento agrário levaram quase 250 mil ao bairro de Palermo, segundo a imprensa local.

No ato governista, o ex-presidente Néstor Kirchner atacou duramente os grupos econômicos agrícolas e a oposição liberal por reagirem contra os impostos sobre as exportações de grãos.

"Abraçamos os produtores argentinos, porque não são nossos inimigos, mas devemos ter cuidado com os 'pools' agrícolas, que querem enriquecer às custas do povo", disse Kirchner para a multidão reunida diante do Congresso.

"A presidente me pediu para garantir a vocês que vamos respeitar a decisão do Congresso, qualquer que seja", destacou Kirchner, ao descartar a possibilidade de renúncia de Cristina, em caso de queda do projeto que prevê impostos progressivos sobre as exportações de soja, milho, trigo e outros cereais.

"A presidente acredita que é fundamental que os alimentos cheguem à mesa dos argentinos com preços nacionais, e não internacionais, e por esse motivo adotou os impostos (sobre as exportações de grãos), mas alguns pularam porque não querem compartilhar esse esforço".

"O Estado tem de estabelecer o equilíbrio, e os impostos sobre os grãos permitem que os argentinos possam comer a preços nacionais", afirmou Néstor Kirchner, ao lembrar a escalada internacional dos preços dos alimentos.

Diante do Monumento aos Espanhóis, no bairro de Palermo, os líderes agrários e a oposição fizeram um apelo pela consolidação de uma Argentina agroexportadora, pedindo aos senadores que votem, amanhã, contra o aumento dos impostos sobre as exportações de grãos.

"Convoco a criação de uma Argentina agroexportadora, a que nossos avós sonharam, e que sobrem alimentos para todos os argentinos", disse Alfredo De Angeli, um produtor médio da rica região dos Pampas e radical dirigente do protesto agrário.

De Angeli garantiu que o governo "está roubando" os produtores, ao aplicar os tributos móveis, que aumentam os impostos sobre a soja, o milho, o girassol e o trigo, segundo seus preços internacionais.

Representante dos grandes produtores, Luciano Miguens classificou a resolução 125, que define as "retenções (impostos) móveis nos grãos, de "injustas, confiscatórias e anticonstitucionais".

Miguens rejeitou a medida, que deflagrou em março o maior conflito agropecuário da história, e pediu aos senadores que votem contra a lei "que atenta contra a produção, desestimula o investimento e gera desemprego".

De Angeli também instou aos senadores que votem contra o projeto oficialista, que já conta com a aprovação da Câmara de Deputados, porque "têm a responsabilidade de unir o povo e de pôr em marcha a produção agropecuária argentina".

O dirigente Fernando Gioino pediu aos senadores que votem "olhando o bem comum". "Nós, os produtores da Argentina, podemos produzir o dobro, ou o triplo, se nos derem segurança e rentabilidade".

O líder dos pequenos e médios produtores, Eduardo Buzzi, insistiu na necessidade de garantir melhoras para o setor e criticou o Governo, por taxar a produção agrária, mas não os outros setores econômicos, como a atividade financeira, a mineração e a pesca.

jos/LR/tt

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