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Governo e oposição iniciam diálogo na Bolívia

Um crucial diálogo para restabelecer a paz na Bolívia foi retomado ontem no palácio presidencial em La Paz entre delegados do governo e um representante dos quatro departamentos (Estados) de oposição. Os dois lados deveriam discutir como acabar com os violentos protestos que tomam conta do país e já deixaram 30 mortos na região de Pando, para onde o Exército foi enviado para conter a situação.

Agência Estado |

O presidente boliviano, Evo Morales, mostrou-se disposto a revisar seu projeto de Constituição e a questão da autonomia dos departamentos de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija, que recentemente aprovaram em consulta popular um estatuto autonômico.

"O governo tem a ampla disposição de discutir questões de fundo, entre elas a restituição do imposto do gás e petróleo às regiões", assegurou ontem o vice-presidente Álvaro García. Os quatro departamentos exigem a restituição dos impostos, que o governo central confiscou para criar um fundo de pensão para idosos.

O governador de Tarija, Mario Cossío, escolhido como representante da oposição para a reunião em La Paz, disse que esperava um resultado positivo do encontro. "O governo tem expectativas e nós também. Todos querem a paz no país, mas para isso os dois lados têm de ceder." Cossío afirmou ainda que a oposição quer enviar uma comissão de representantes para o encontro da União das Nações Sul-Americanas que discutirá a crise boliviana hoje, no Chile (ler mais na pág. 14).

Há mais de uma semana, governo e oposição vêm travando uma queda-de-braço, que intensificou as divisões do país e causou uma escalada da violência.

Em protesto contra a convocação do referendo constitucional para 7 de dezembro, os opositores tomaram prédios públicos e bloquearam estradas em todo o território boliviano. Os opositores são contra o projeto de Carta aprovado pelo partido governista Movimento ao Socialismo no ano passado, pois, segundo eles, o texto não prevê pontos estabelecidos em seus referendos autonômicos.

O presidente do Comitê Pró-Santa Cruz, Blanco Marinkovic, ordenou ontem o desbloqueios das estradas (mais informações ao lado) como um gesto de boa vontade para com o governo de Evo. Ele pediu que, em troca, o governo levantasse o estado de sítio imposto na sexta-feira ao Departamento de Pando, onde ocorreram os piores incidente de violência. Na manhã de ontem os governadores opositores Rubén Costas (Santa Cruz), Mario Cossío (Tarija) e Ernesto Suárez (Beni) tentaram viajar para Cobija - capital de Pando - mas foram impedidos de embarcar no Aeroporto Trompillo, após a agência de controle aéreo cancelar o vôo por falta de segurança na cidade.

Soldados do Exército patrulhavam as ruas de Cobija ontem para tentar conter a onda de violência entre partidários do governo e opositores, que já deixou 30 mortos. Entre os feridos nos confrontos está o brasileiro Jonas Rodrigues Sousa, de 22 anos. A Embaixada do Brasil em La Paz afirmou que outros dois cidadãos brasileiros podem ter ficado feridos nos confrontos. "A recomendação aos brasileiros é que evitem passar para o lado boliviano da fronteira à noite", disse ao Estado o vice-cônsul do Brasil em Cobija, Julio Miguel da Silva.

O presidente Evo acusou os partidários do governador de Pando, Leopoldo Fernández, de ordenar o massacre dos camponeses e o governo de La Paz emitiu uma ordem de prisão contra ele.

No sábado, Evo também acusou Fernández de usar "mercenários brasileiros e peruanos" na matança de camponeses. O governador opositor negou as acusações. O governo boliviano anunciou ontem que está em contato com Brasília para negociar a prisão de alguns brasileiros armados que teriam cruzado a fronteira do Brasil com a Bolívia.

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