SÃO PAULO - O Departamento de Justiça dos Estados Unidos e as promotorias de 13 Estados do país pediram o bloqueio da compra da National Beef pela JBS. O negócio havia sido anunciado em março.

De acordo com fato relevante da época, o frigorífico brasileiro havia se mostrado disposto a pagar US$ 560 milhões pela empresa, além de assumir dívidas, o que elevaria o negócio para o valor total de US$ 970 milhões.

Na mesma decisão, o Departamento de Justiça informou que não há impedimento para a compra da Smithfield Beef Group pela multinacional brasileira. Também anunciada em março, a aquisição, de US$ 565 milhões, não previa a assunção de dívidas, mas um aumento de capital de US$ 200 milhões na subsidiária Five Rivers.

Em junho, o senador Herb Kohl, chefe do subcomitê antitruste do Senado americano, havia solicitado que ambas as aquisições fossem recusadas. O argumento era que o mercado americano de abates de bovinos ficaria excessivamente concentrado nas mãos da companhia brasileira.

Na ocasião, a JBS minimizou o risco de ter as propostas de compra rejeitadas. Ao ser informado sobre o pedido de Kohl, o diretor de relações com os investidores da empresa, Jerry O ? Callaghan, disse que " qualquer influência política seria fonte de preocupação se houvesse 30% a 40% dos senadores se manifestando " contra as aquisições da JBS nos EUA.

O frigorífico brasileiro informou ontem à noite que se manifestaria sobre a decisão do Departamento de Justiça dos EUA por meio de um comunicado, mas, até o fechamento desta edição, o manifesto ainda não havia sido divulgado. Procurada, sua assessoria de imprensa não informou se a decisão poderia ser contestada com recurso.

A U.S. Premium Beef, associação formada por mais de 2,1 mil pecuaristas de 36 estados dos EUA e controladora da National Beef, disse, em comunicado, que planeja " contestar vigorosamente " o bloqueio. " Estamos desapontados com o fato de o Departamento de Justiça não reconhecer a transação como pró-competição " , diz o texto, assinado pelo principal executivo da U.S. Premium, Steve Hunt.

Ao comprar a Swift Foods, em 2007, a JBS tornou-se a terceira maior empresa do setor de carnes nos Estados Unidos, atrás apenas de Tyson Foods e Cargill - National Beef e Smithfield são, pela ordem, a quarta a quinta maiores do segmento. Se a proposta de aquisição não fosse barrada, as duas aquisições tornariam a JBS o maior frigorífico americano. Sua capacidade de abate superaria as 40 mil cabeças por dia, ou mais de um terço da capacidade total da indústria nos EUA, e as vendas anuais chegariam a US$ 14 bilhões.

O argumento do Departamento de Justiça não trata da concentração de mercado apenas nas mãos da brasileira. Se as compras tivessem sido igualmente aprovadas, JBS, Tyson Foods e Cargill dominariam mais de 80% do mercado, segundo o comunicado da decisão. Isso poderia depreciar o preço pago aos pecuaristas e inflacionar a carne no mercado varejista.

Em entrevista em abril deste ano, o presidente da JBS, Joesley Batista, disse que, em 2007, concorrentes nos EUA haviam tentado " bloquear " a JBS, que então comprava a Swift, o que acabou pressionando ainda mais as margens de todo o setor.

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