Por John Poirier e Glenn Somerville WASHINGTON (Reuters) - Autoridades dos EUA pressionaram na terça-feira o Congresso a apressar a aprovação do megapacote de 700 bilhões de dólares contra a crise financeira, mas alguns senadores pediram calma na decisão.

"O que eles nos mandaram é inaceitável", disse o presidente da Comissão Bancária do Senado, o democrata Christopher Dodd.

O secretário do Tesouro, Henry Paulson, propôs na semana passada a criação de um enorme fundo público para adquirir dívidas podres e sanear instituições em dificuldades, como forma de conter a maior crise financeira nos EUA desde a Grande Depressão, na década de 1930.

Alguns republicanos também fizeram críticas, como o senador Richard Shelby, que prometeu não "carimbar" a proposta.

Paulson e o presidente do Fed (Banco Central) passaram quase cinco horas dando detalhes aos parlamentares sobre essa intervenção sem precedentes nos mercados.

Enquanto vários senadores prometiam avaliar o plano com cuidado e eventualmente fazer emendas, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, dizia que a aprovação seria rápida. "Estamos avançando", declarou a democrata.

Em uma rara concessão a preocupações manifestadas principalmente por democratas, o presidente George W. Bush disse que há muitas idéias que merecem ser ouvidas sobre como estruturar essa operação com dinheiro público. Mas, em discurso na ONU, ele afirmou que a ação ocorrerá com a urgência necessária.

Paulson e Bernanke salientaram a necessidade de poupar o setor financeiro e a economia como um todo de um tombo maior. "Sinto uma grande urgência. Acredito que precise ser feito nesta semana ou antes que vocês saiam", disse Paulson à Comissão Bancária do Senado.

"Os mercados financeiros estão numa condição bastante frágil, e acho que, na ausência de um plano, eles certamente vão piorar", disse Bernanke.

Muitos parlamentares dizem querer pressa, mas insistem em fazer emendas à proposta enviada no fim de semana pelo Tesouro.

Os democratas querem mais proteção ao contribuinte, ajuda para mutuários inadimplentes, limites sobre os bônus pagos a executivos de empresas que estejam se livrando de títulos podres, e maior supervisão sobre todo o programa, que daria ao secretário do Tesouro poderes quase ilimitados.

Paulson, que foi presidente e executivo-chefe do banco Goldman Sachs antes de se tornar secretário, se disse aberto à supervisão externa.

"Precisamos ter transparência aqui. Claramente precisamos de proteções", disse Paulson. " não podemos ser desacelerados a ponto de não conseguirmos fazer o trabalho."

Entretanto, ele rejeitou a idéia de que o governo assuma ações das empresas em troca de receber as dividas impagáveis, o que seria um meio de proteger o dinheiro público investido no programa.

(Reportagem adicional de Mark Felsenthal, Patrick Rucker, David Lawder e Tom Ferraro)

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