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Governo dos EUA ditará as regras na GM, Chrysler e Ford

WASHINGTON - O pacote de socorro à indústria automobilística que está em discussão nos Estados Unidos obrigará as três grandes montadoras americanas, General Motors (GM), Ford e Chrysler, a aceitar um grau inédito de interferência do governo nos seus negócios em troca da ajuda financeira que elas precisam obter para enfrentar a crise que engolfou o setor. Conforme o rascunho do projeto em discussão no Congresso, as empresas terão que rever as políticas de remuneração dos seus executivos, suspender o pagamento de dividendos aos acionistas e submeter seus investimentos à aprovação de um funcionário do governo que terá a missão de monitorar as empresas beneficiadas pelo plano.

Valor Online |

 

Qualquer transação cujo valor seja superior a US$ 25 milhões terá que ser submetida à avaliação desse funcionário e poderá ser simplesmente vetada por ele. De acordo com o projeto, a restrição se aplica a vendas de ativos, investimentos, contratos e qualquer outro tipo de compromisso assumido pelas empresas.

O projeto também proíbe as montadoras que receberem ajuda do governo de recorrer à Justiça para contestar Estados que impuserem limites mais rigorosos do que os previstos na legislação federal para as emissões de gás carbônico dos seus automóveis. A Califórnia vem tentando fazer isso há meses e enfrenta ferrenha oposição da indústria.

O projeto foi apresentado à Casa Branca por líderes do Partido Democrata no Congresso na segunda-feira e foi recebido com reservas pelo governo e seus aliados no Partido Republicano. Integrantes dos dois partidos passaram o dia ontem tentando resolver suas diferenças e esperavam colocar o projeto em votação até o fim desta semana.

Na semana passada, os executivos-chefes das montadoras pediram ao Congresso US$ 34 bilhões em empréstimos para enfrentar a crise atual. A falta de crédito na praça e a queda nas vendas de automóveis agravaram as dificuldades que as três empresas enfrentam há muitos anos para competir com seus rivais japoneses.

A GM pediu US$ 18 bilhões e a Chrysler quer US$ 7 bilhões. As duas empresas dizem que não têm condições de continuar operando se não tiverem ajuda até o fim do ano. A Ford diz que não precisa de dinheiro agora, mas quer uma linha de crédito de US$ 9 bilhões, que seria usada no ano que vem se a crise do setor se aprofundar ainda mais.

O projeto em discussão no Congresso permite a liberação de até US$ 15 bilhões para as montadoras. Os empréstimos teriam prazo de sete anos e o governo poderia exigir como garantia ações nas indústrias beneficiadas. A proposta divulgada pelos democratas permite que o governo tenha até mesmo ações com direito a voto nas empresas.

Na manhã de ontem, o líder dos democratas no Senado, Harry Reid, sugeriu que o pacote poderia ser colocado em votação em poucas horas. Mas o líder dos republicanos, Mitch McConnell, criticou o projeto e a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, afirmou que muitos detalhes ainda estavam em negociação.

O poder da autoridade que irá monitorar a gestão das empresas beneficiadas pelo pacote era um dos pontos ainda em discussão ontem. A deputada democrata Nancy Pelosi, que preside a Câmara, sugeriu para a função o ex-presidente do Federal Reserve, o banco central americano, Paul Volcker, hoje um dos principais assessores econômicos do presidente eleito Barack Obama.

Senadores republicanos manifestaram ontem várias restrições ao pacote e expressaram dúvidas sobre a capacidade das montadoras de sobreviver mesmo se receberem ajuda. Embora os democratas tenham maioria nas duas casas do Congresso, eles não têm votos suficientes para aprovar o projeto no Senado sem apoio dos republicanos.

Parte da resistência ao pacote é resultado do desgaste que o Congresso sofreu ao aprovar o plano de socorro ao sistema financeiro que o governo começou a executar em outubro, para o qual foram destinados US$ 700 bilhões. Os dois pacotes têm semelhanças, mas o das montadoras submete a indústria a um tratamento muito mais rigoroso do que o recebido pelos bancos.

As instituições financeiras que receberam ajuda também precisaram cortar os bônus dos diretores e os dividendos dos acionistas, mas tiveram bastante liberdade para administrar o dinheiro que receberam. O governo evitou tomar medidas para obrigá-las a usar esses recursos para ampliar a oferta de crédito, como muitos políticos queriam.

Mesmo se o pacote passar, será difícil conter os problemas que a crise já começou a criar para fabricantes de autopeças, revendedores de automóveis e outras empresas que dependem das montadoras. As indústrias que quiserem ajuda do governo terão que executar planos de reestruturação que irão resultar na eliminação de milhares de postos de trabalho.

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