O Ministério da Defesa do Chile assina hoje de manhã, em São José dos Campos, o contrato de compra de 12 aviões Supertucano, turboélices de treinamento e ataque leve fabricados pela Embraer. O negócio é estimado em cerca de US$ 120 milhões, envolvendo peças, componentes, documentação de manutenção e treinamento de pessoal.

O governo chileno pediu que a solenidade fosse reservada. Até ontem à noite, a presença do ministro da Defesa, José Goñi, não estava confirmada. As entregas começam ainda este ano. O lote será produzido na unidade de Gavião Peixoto, a 350 km de São Paulo.

Todos os aviões serão bipostos, e configurados para emprego na instrução avançada de pilotos - a Força Aérea do Chile é a mais bem equipada do continente, empregando supersônicos americanos F-16 de duas diferentes gerações. São 28 caças, dez dos quais do tipo Block 60, o mais moderno, e 18 mais antigos, comprados na Holanda e revitalizados.

Na América Latina, também o Equador confirmou a aquisição de 24 Supertucanos, embora ainda não tenha formalizado a encomenda, avaliada em US$ 250 milhões. A versão escolhida é semelhante à especificada pela Aeronáutica da Colômbia - que encomendou 25 aeronaves em 2005 e recebeu todas - com pesada carga eletrônica, destinada a missões de combate e capacitação. A transação foi anunciada pelo presidente Rafael Corrêa em 27 de abril, pouco mais de três semanas depois do ataque devastador da aviação da Colombia, contra um centro de comando e controle da guerrilha das Farc que funcionava em território do Equador.

Na seleção do Chile, o Super Tucano venceu concorrentes difíceis. Estavam em avaliação pelo menos cinco: o suíço Pilatus PC-21, o americano Texan II, o argentino Pampa AT-63, o coreano T-50 e o italiano M346. A encomenda pode ser maior que a anunciada. A Força Aérea Brasileira (FAB) negociou com a Embraer um lote de 99 turboélices. Já foram entregues cerca de 55, rebatizados como A-29A,versão exclusiva de ataque, de um só lugar, e A-29B, configuração de dois pilotos.

Na América Central, a Republica Dominicana e a Guatemala também selecionaram o avião brasileiro. O mercado para essa classe de aeronave é promissor: até 2010 serão definidos pedidos de até 350 aviões da classe do Super Tucano fora do eixo dos EUA e da Europa. Só o mercado asiático responderá por 200 aeronaves, representando US$ 1,1 bilhão.

O modelo exportado para o Chile e o Equador é inspirado no conjunto anti guerrilha especificado pela Colômbia e usado no ataque de 1º de março.

Pequeno e ágil, o Super Tucano é uma engenhosa combinação de recursos tecnológicos de última geração com a engenharia de baixo custo dos turboélices. Pode permanecer 7 horas em missão de patrulha. Leva 1,5 tonelada de armas e duas armas fixas - canhões de 30 milímetros ou metralhadoras pesadas, além de voar a 590 km/hora. Há duas semanas, o vice-presidente da Embraer para o mercado de Defesa, Luiz Carlos Siqueira Aguiar revelou ao Estado que a empresa está dedicando "atenção especial" aos mercados da Ásia, África e Oriente Médio. A estratégia é a da eventual venda casada: o turboélice Supertucano combinado com o jato de alerta avançado e controle, o R-99A,montado sobre a plataforma do Emb-145.

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