O governo está preocupado com a disparada do preço do álcool que subiu 8,74% em um mês e diz que tem armas para conter excessos. Ontem, durante seminário sobre o setor sucroenergético no Congresso Nacional, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, mencionou duas formas de conter a alta dos preços.

A primeira seria a redução do financiamento para a formação de estoques. A segunda, a diminuição do porcentual de álcool anidro na gasolina. "Essa mistura já esteve em 23% e passou para 25%. Podemos diminuir", disse.

O diretor técnico da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), Antônio de Pádua Rodrigues, afirmou, no entanto, que não é possível reduzir o que praticamente não existe, referindo-se ao financiamento para a formação de estoques. Rodrigues lembra que no início da safra atual, em março, o setor procurou o governo em busca de um mecanismo que permitisse a estocagem de etanol em virtude da crise financeira.

"O financiamento do governo vinculou o mecanismo aos créditos das usinas junto ao setor financeiro. Mas estávamos sem crédito, então o financiamento não foi utilizado", disse. O diretor ressaltou que, pela falta de um mecanismo de estocagem, o setor precisou desovar o etanol produzido a preços abaixo do custo de produção no primeiro semestre do ano.

Mesmo assim, o secretário nacional de Produção e Agroenergia, Manoel Bertone, deixou claro, no mesmo seminário, que o Ministério está atento à alta. "É óbvio que (a elevação do etano) está me preocupando." Para Stephanes, a elevação por enquanto deve ser vista como um "pequeno soluço" - o preço do álcool ao produtor subiu 32% desde julho. "Vamos ver até onde isso vai. Acredito que vá se normalizar". Ele disse acreditar que o próprio mercado tem condições de reagir à elevação.

Esta foi a saída apresentada pelo presidente da Unica, que promoveu o seminário, Marcos Jank. "O ajuste deve ser feito pelo consumidor que tem carro flex (movido a álcool ou a gasolina). O que podemos garantir é que não haverá risco de falta de produto", disse.

Para Jank, a flutuação de preços é natural e já aguardada pelo setor: "Não existe preço fixo. Commodities flutuam. Além disso, tivemos três anos de preços baixos." O avanço dos preços foi atribuído pelo presidente da Unica às condições climáticas pouco favoráveis, em especial de chuvas em excesso no Centro-Sul do País, que estariam dificultando o processo de moagem da cana.

Adepto a um Estado de menor tamanho quando o mercado tem forças suficientes para se autorregular, o deputado Antonio Palocci (PT-SP) também presente ao evento de ontem, defendeu que o volume de álcool ofertado fique a cargo do produtor. "Se o produtor não tiver álcool, ele simplesmente não vende", considerou.

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