SÃO PAULO - O governo diz que já está patrocinando 220 projetos de adaptação de novas culturas agropecuárias para evitar o prejuízo estimado de R$ 7,4 bilhões nas safras de grãos do Brasil, em 2020, caso não haja alteração no cenário de aquecimento global vigente. A previsão de perdas financeiras para o setor agrícola consta de estudo divulgado hoje pela Embrapa em parceria com a Unicamp. O Ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirma, no entanto, que o governo teve acesso ao estudo antes e já vem trabalhando para evitar problemas drásticos no futuro.

Nossos pesquisadores já estão trabalhando. O governo já reforçou os recursos os recursos para a área de pesquisa, não só para a Embrapa, como para toda a rede de instituições que têm trabalhos e estudos nesse sentido, disse Stephanes, sem mencionar o montante de investimentos.

Eduardo Delgado Assad, chefe geral da Embrapa Informática Agropecuária, que apresentou detalhes do estudo hoje, afirma que para evitar tamanho prejuízo - que poderia chegar a R$ 14 bilhões em cenários de mudança mais drástica de temperatura até 2070 - é preciso não só mitigar casos de queimadas e derrubadas, mas investir em estudos de plantas alternativas mais resistentes à mudanças climáticas.

Para Assad a situação exige empenho e investimentos como o que o governo empreendeu no Projeto Genoma. É isso que queremos, disse. De acordo com Assad, cada espécie alternativa (cultivar), leva de 7 a 10 anos de adaptação, levando em conta o estudo e a chegada da semente ao mercado para plantio. Só que cada cultivar exige investimento médio de R$ 12 milhões por ano. Assad, que é um dos coordenadores da pesquisa, diz que o país investiu apenas R$ 30 milhões em 200 projetos do tipo nos últimos 10 anos.

Assad não soube dizer quantas espécies melhoradas geneticamente seriam necessárias daqui por diante, mas basta ressaltar que as principais culturas brasileiras seriam prejudicadas pelo clima mais quente como algodão, arroz, feijão, café, milho e soja, especialmente. Temos sete anos para colocar uma soja com resistência hídrica no sul e centro-oeste brasileiro.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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