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BRASÍLIA - Com a queda real de 20,1% no déficit previdenciário acumulado no ano até julho, o ministro da Previdência Social, José Pimentel, fez hoje uma nova projeção para ano. O déficit deve ficar em R$ 38 bilhões, talvez até abaixo disso, porque temos um viés de baixa nas contas. Ele disse ainda que há chances de retração na estimativa para 2009.

A diferença entre receitas e o pagamento de benefícios do INSS nos sete primeiros meses do ano ficou negativa em R$ 20,827 bilhões. O resultado é 20,1% (descontada a inflação pelo INPC) inferior aos R$ 26,058 bilhões de igual período de 2007.

A previsão anterior para o resultado do INSS em 2008 era de R$ 38,5 bilhões negativos, feita pelo secretário de Políticas de Previdência, Helmut Schwarzer, no mês passado.

O ministro lembrou que no Orçamento da União 2008, a reserva apartada para cobrir o rombo previdenciário dos trabalhadores do setor privado é de R$ 46 bilhões. Em todo o ano passado, o déficit ficou em R$ 48, bilhões.

Pimentel comentou que a proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) 2009, enviada pelo governo ao Congresso em abril, foi elaborada com o cenário do primeiro semestre. E estima que o rombo da Previdência fique em R$ 43 bilhões no ano que vem.

A melhoria no ambiente econômico pode rever e reduzir o número que o governo deve incluir na proposta orçamentária, disse o ministro. A LDO é a base para a proposta de Orçamento da União 2009, que o governo terá que mandar ao Congresso até o fim desta semana.

Esperamos que não haja grande inflexão na geração de empregos, e que o aumento de arrecadação seja mantido no próximo ano, complementou Schwarzer.

O secretário destacou as oscilações favoráveis nos números da Previdência. De janeiro a julho, a arrecadação líquida subiu 10,2%, somando R$ 88,589 bilhões, ante R$ 80,355 bilhões no mesmo intervalo do ano passado. Somente a recuperação de crédito subiu 4,6%, totalizando R$ 5,28 bilhões.

Os gastos totais também aumentaram, em 2,8%, e atingiram R$ 109,416 bilhões, sobre os R$ 106,414 bilhões anteriores. Os pagamentos do INSS registraram incremento ainda maior, de 3,1%, somando R$ 105,34 bilhões em relação aos R$ 102,17 bilhões do intervalo anterior. Mas houve retração, por exemplo, de 4% no pagamento de sentenças da Justiça Federal, que acumulou R$ 3,82 bilhões.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

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