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Governo desiste de IPCA nos 4,5% da meta

O governo não considera mais factível que o Banco Central (BC) traga a inflação para o centro da meta de 4,5% em 2009, como estava programado antes do agravamento da crise financeira internacional. A avaliação da área econômica é que a disparada do dólar impossibilita uma trajetória mais ambiciosa para a inflação no próximo ano.

Agência Estado |

"Haverá mais inflação do que se imaginava", disse um importante assessor do governo. Mas a área econômica não espera uma explosão da inflação, pois os técnicos acreditam que os efeitos da maxidesvalorização do real nos preços serão parcialmente compensados pela redução da demanda, por causa do desaquecimento econômico.

O entendimento que predomina no governo é que não há espaço para que o Comitê de Política Monetária (Copom) eleve novamente a taxa de juro na próxima reunião, no fim do mês. Uma subida do juro, num momento de escassez de crédito e aperto de liquidez, poderia agravar os problemas que o governo quer resolver, advertiu outra fonte.

A avaliação majoritária no governo é que o BC deve fazer uma parada para avaliar o cenário. Mas representantes do chamado grupo desenvolvimentista ainda defendem uma redução dos juros, com o argumento de que a queda ajudaria a resolver o problema de liquidez.

Os sinais de recessão nos EUA e na Europa mudaram o quadro da economia brasileira para 2009. O cenário de que a economia sofreria uma pequena desaceleração foi abandonado. Agora, a perspectiva no governo é de redução mais intensa da atividade econômica com uma duração maior da crise, em razão, principalmente, da indefinição política nos EUA.

O governo acredita que somente após a posse do novo presidente os Estados Unidos terão uma política mais definida de enfrentamento da crise.

O Ministério da Fazenda e o BC trabalharam com cenários diferentes para o crescimento econômico em 2009, embora piores do que o previsto há um mês. O quadro desenhado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, é mais otimista, enquanto o BC projeta uma redução mais forte do nível de atividade. Um crescimento em torno de 3,5% no próximo ano é a projeção que encontra maior aceitação na equipe econômica.

Há um consenso em relação a um ponto: a taxa de câmbio ficará em torno de R$ 2 no próximo ano. Ontem, depois de três intervenções do BC no mercado de câmbio, o dólar fechou a R$ 2,16. Mesmo que o câmbio médio fique em torno de R$ 2 em 2009, essa alta significará uma maxidesvalorização de cerca de 30%, atingindo os preços.

O senador Delcídio Amaral (PT-MS), relator do Orçamento de 2009, reuniu-se ontem com o presidente do BC, Henrique Meirelles. No encontro, segundo Delcídio, o presidente do BC disse que o crescimento econômico será menor do que o previsto e a inflação será maior. Na proposta orçamentária, o governo projetou um crescimento de 4,5% para o próximo ano.

"Houve uma mudança de cenário, pois essa crise não é um assoprão. O Meirelles me disse que os especialistas acreditam que a crise vai durar de 8 a 18 meses", disse Delcídio. "É hora de tirar o pé do acelerador, pois não se sabe o que vem por aí." As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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