Um grupo de trabalho da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SMA) aponto um indicativo de viabilidade, no mês passado, para o uso de incineradores na transformação do lixo em energia. Aplicado em países como Alemanha, Holanda, Portugal e Suécia, o método é questionado por ambientalistas na Europa há duas décadas.

No Brasil, onde a coleta seletiva ainda é restrita, ambientalistas dizem que a queima de plásticos e metais pesados poderia contaminar o ar.

Flávia Bandeira de Mello, supervisora de Projetos Especiais da SMA, entretanto, disse que a pasta agora vai realizar estudos de implantação de incinerador. "Em Santos, por exemplo, a produção de energia e vapor com o lixo poderia ser vendida ao pólo industrial de Cubatão. Em São Bernardo do Campo, a produção com o uso do incinerador poderia ser absorvida pelo pólo petroquímico de Mauá", explicou. "Em Ilhabela, a energia poderia ser comercializada com a Petrobrás. O lixo precisa ser visto como algo que pode se tornar lucrativo para as prefeituras", acrescentou.

Para a supervisora, existem poucas áreas hoje para colocar as 28 mil toneladas diárias de resíduos produzidas no Estado. "Por isso temos de trabalhar na prevenção, reduzindo ao máximo a massa de lixo que vai para os aterros." Mello também defende aterros regionais como solução para a falta de espaço.

Em países como a Holanda, 30% do lixo produzido é transformado em energia. "Mas no Brasil o lixo não é limpo. Imagine em São Paulo, com menos de 2% de coleta seletiva, o que não entraria no incinerador?", questiona o biólogo e ambientalista Renato Ângelo Fercundini. "E mesmo na Europa diversas entidades de ativistas questionam o incinerador. Transformar o lixo em um negócio é arriscado. Substâncias como cádmio (componente da pilha) podem contaminar o ar com metais pesados caso sejam queimadas", diz o biólogo. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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