A guinada à extrema-direita feita em julho por Nicolas Sarkozy não se limita mais ao campo político

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A guinada à extrema-direita feita em julho por Nicolas Sarkozy não se limita mais ao campo político. O ministro da Indústria da França, Christian Estrosi, defendeu abertamente ontem o aumento do protecionismo econômico no país e na União Europeia. À frente de um dos ministérios estratégicos da política econômica, Estrosi afirmou que o protecionismo "não é um palavrão". As declarações foram feitas após a revelação de um estudo mostrando que a proporção de produtos "Made in France" está em ligeira queda há dez anos.

O declínio do índice de nacionalização foi indicado em pesquisa feita pelo Ministério da Indústria. Entre 1999 e 2009, o porcentual de peças feitas em dez setores, como as indústrias automobilística, aeronáutica, ferroviária, de saúde, além da moda e do luxo, caiu de 67% para 64% do total. Apesar de pequeno, o recuo preocupa o governo, que anunciou a criação do Observatório do Produto Francês para fiscalizar a participação do "Made in France" na indústria.

De acordo com estudo do observatório, "os produtos franceses contêm globalmente mais peças de fabricação estrangeira que antigamente". Um exemplo: um automóvel de 10 mil euros tem o equivalente a 3,6 mil euros em componentes produzidos fora do país. Em contrapartida, peças francesas também são mais utilizadas pela indústria de outros países. A compensação não convence o ministro, que defendeu a preservação da indústria por meio da intervenção do Estado.

Questionado na rádio RMC sobre o risco de as medidas serem consideradas "protecionismo", Estrosi foi claro: "Meu dever hoje é dizer que estas palavras não são palavrões. São palavras nobres que farão com que a França volte a ser uma grande potência no cenário internacional, triunfando em sua revolução industrial". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

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