Londres, 8 out (EFE) - O Governo britânico recorreu hoje a uma nacionalização parcial dos bancos através de um milionário plano de resgate destinado a conter a crise de crédito e estabilizar o sistema financeiro do Reino Unido. Após semanas de conversas entre funcionários do Tesouro, do Banco da Inglaterra (autoridade monetária britânica) e da Autoridade de Serviços Financeiros (FSA, reguladora do setor), o Governo britânico divulgou hoje um amplo plano de resgate estimado em 50 bilhões de libras (cerca de 62 bilhões de euros). Com esta iniciativa, classificada pelo primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, de ousada e de longo alcance, o Executivo aposta no restabelecimento da confiança no setor financeiro diante de uma crise de crédito que ameaça afetar famílias e empresas. O dinheiro servirá para comprar ações nos principais bancos do país, que, nesta terça-feira, sofreram fortes quedas que chegaram perto dos 40%, como no caso do Royal Bank of Scotland (RBS). As instituições que confirmaram sua participação no programa de recapitalização são Abbey, Barclays, Halifax Bank of Scotland (HBOS), HSBC, Lloyds TSB, Nationwide, Standard Chartered e o RBS. No entanto, segundo o Governo, outros bancos poderão aderir ao plano.

Estas entidades se comprometeram a aumentar seu capital antes do fim do ano em um total de 25 bilhões de libras (cerca de 32,34 bilhões de euros), apesar de o aumento variar em cada caso.

O Governo se diz ainda disposto a fornecer um mínimo de 25 bilhões de libras adicionais às entidades que reunirem os requisitos necessários para a aquisição de ações preferenciais, ou nos casos em que os bancos solicitarem expressamente o auxílio também para a compra de títulos ordinários.

O Banco da Inglaterra fornecerá outros 200 bilhões de libras (cerca de 258,864 bilhões de euros) em forma de créditos a curto prazo para fornecer liquidez aos bancos e entidades hipotecárias.

Segundo o Governo, estas medidas, coordenadas com o Banco da Inglaterra e o organismo regulador da City, têm como objetivo assegurar a estabilidade do sistema financeiro e proteger os poupadores, titulares de depósitos e empresas.

Ao anunciar o plano (antes da abertura da Bolsa de Londres, às 4h de Brasília), Brown afirmou aos jornalistas que se trata de um programa de estabilidade "completo e específico", e assegurou que os interesses do contribuinte estão protegidos.

O premiê explicou que a crise começou nos Estados Unidos, mas se estendeu a todos os continentes, tornando necessária uma medida "inovadora" para enfrentar "situações excepcionais".

"O programa foi pensado para restabelecer a confiança no sistema financeiro e, mais ainda, para assentar o sistema bancário britânico sobre uma base sólida a fim de que possa gerar empregos e trazer prosperidade a toda a economia", disse Brown em sua residência oficial de Downing Street.

O Governo deu passos para fornecer liquidez aos bancos e para assegurar o bom funcionamento deles, afirmou.

O Executivo de Gordon Brown informou à Comissão Européia (CE) sobre este plano de resgate e discute com outros países a possibilidade de ampliar estas propostas para uma colaboração entre todos para o fortalecimento do sistema financeiro internacional.

Os principais bancos britânicos registraram forte queda na terça-feira na Bolsa de Londres, depois que a emissora "BBC" anunciou que seus diretores tinham solicitado liquidez adicional ao Governo.

O Royal Bank of Scotland foi o mais atingido, perdendo 10 bilhões de libras (cerca de 12,9 bilhões de euros) de seu valor ao cair nada menos que 39% - o maior retrocesso em 13 anos -, até fechar em 90 pences.

O outro grande perdedor do dia, o HBOS, caiu 42%, ou 66,8 pences, para acabar a 94 pences, enquanto o Lloyds TSB perdeu 13% e o Barclays, 9%.

Após a divulgação do plano, os títulos dos principais bancos britânicos tiveram forte alta hoje nos mercados.

As ações do HBOS subiram 27,66% (26 pences), aos 120 pences, enquanto as do RBS avançavam 9% (8 pences), até os 98 pences.

Os títulos do Lloyds TSB, que chegou a um acordo para comprar o HBOS, subiram 8,65%, enquanto os do Standard Chartered dispararam, com alta de 17,65%. EFE vg/ev/db

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