Londres, 15 jan (EFE).- O Governo britânico autorizou hoje a polêmica obra de construção de uma terceira pista no aeroporto de Heathrow, em Londres, que encontra resistência das organizações ambientalistas, de deputados e de associações de moradores.

Na Câmara dos Comuns do Parlamento, o ministro de Transportes britânico, Geoff Hoon, confirmou os planos para a ampliação do principal aeroporto de Londres, que funciona atualmente a 99% de sua capacidade.

A construção da pista, para o que será necessário demolir 700 casas em Sipson, criará 65 mil empregos, enquanto o número de voos em Heathrow passará de 480 mil ao ano até 702 mil ao ano em 2030.

A oposição conservadora britânica qualificou o anúncio de hoje de "dia sombrio" para o meio ambiente.

A porta-voz do meio ambiente dos conservadores, Theresa Villiers, disse hoje que isto representará um "dano devastador" para o meio ambiente e à qualidade de vida dos moradores locais.

Em sua defesa da obra, Hoon disse que serão limitados os voos que poderão usar a pista, e, ao mesmo tempo, haverá incentivos para que as companhias aéreas possam optar por aeronaves menos barulhentas e menos poluentes.

Em uma clara tentativa de aplacar as críticas pela decisão, Hoon disse que será necessário dar três passos importantes para limitar a emissão de dióxido de carbono. O primeiro será restringir o número de voos à metade da proposta original.

Além disso, o Governo quer que os novos slots em Heathrow sejam ecologicamente corretos, ou seja, serão destinados aos aviões menos poluentes, explicou o ministro.

"E terceiro, estabeleceremos uma nova meta sobre o limite de emissões (de carbono) da aviação no Reino Unido a níveis abaixo dos de 2005 até 2050", afirmou.

No entanto, as organizações ambientalistas, a oposição conservadora e alguns deputados trabalhistas consideram que a terceira pista será um "desastre ambiental".

O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, considera que a decisão do Governo é um bom equilíbrio entre a defesa do meio ambiente e os imperativos econômicos.

Além disso, Boris Johnson, prefeito conservador de Londres, prometeu hoje que lutará, se preciso nos tribunais, contra a ampliação do aeroporto.

E para impedir a construção, a organização ambientalista Greenpeace comprou um terreno do tamanho de um campo de futebol nas imediações do aeroporto, que será dividido em vários lotes que já foram comprados por muitos famosos. EFE vg/db

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