Rio de Janeiro, 15 set (EFE).- O Governo brasileiro confirmou hoje seu otimismo em relação ao futuro da economia nacional e ressaltou que o país não será afetado pela crise financeira nos Estados Unidos nem pela quebra de grandes bancos americanos.

"O Governo está apostando em uma continuação do ciclo do crescimento, apesar dos pesares" e da crise financeira internacional, ressaltou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em uma conferência hoje em São Paulo.

Mantega admitiu que a crise financeira que derrubou gigantes bancários de escala mundial como o Lehman Brothers, que hoje admitiu estar quebrado, é "forte e uma das maiores do mundo capitalista nas últimas décadas".

Porém, segundo o ministro, "o problema é lá" e não aqui e, pela primeira vez desde 1929, uma crise não afetará o Brasil.

"O Brasil já estaria de joelhos em outras circunstâncias e com todos seus indicadores recuados. Mas, há certa segurança e acho que o ciclo de crescimento vai continuar", acrescentou.

Ele ainda ressaltou que o país conta com reservas internacionais de cerca de US$ 200 bilhões e os especialistas consideram o Brasil uma potência econômica.

"Uma das coisas que verificamos é que o Brasil é mais sólido e robusto, e estamos discutindo se o crescimento (do Produto Interno Bruto deste ano) vai ser de 5% ou de 5,5%", disse Mantega.

O ministro enalteceu "os fundamentos fiscais e monetários" do país ao afirmar que a inflação deverá terminar 2008 dentro da meta de 4,5% anual, com uma margem de tolerância de dois pontos percentuais, até um máximo de 6,5%.

"O máximo que pode acontecer é a diminuição do financiamento externo e a menor arrecadação por exportações", sustentou em seu discurso durante um fórum organizado pela Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas.

Mas, apesar do otimismo, os mercados financeiros do país sofreram os efeitos da crise, com uma forte baixa da Bolsa de Valores de São Paulo, que perdeu mais de 21% de sua capitalização neste ano e hoje caía mais de 4%.

A bolsa, assim como a economia do Brasil, depende de empresas com interesses em produtos básicos e matérias-primas e, em meio à crise e do medo de uma recessão global, os preços destes bens caem rapidamente nos mercados mundiais, arrastando as cotações das empresas do setor.

Mantega atribuiu este movimento a um "nervosismo natural" do mercado e disse esperar que essa conjuntura passe em breve.

"Se há um lugar onde as empresas ainda podem ganhar dinheiro, é no Brasil", declarou.

Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em seu programa semanal de rádio que está convencido de que o Brasil não vai parar de crescer, pois já encontrou "seu próprio destino", sustentado por sua demanda interna.

"Dentro desse crescimento, cresce também o poder aquisitivo do povo brasileiro, a massa salarial" e os bancos têm mais dinheiro para emprestar e as pessoas estão contratando mais créditos, comentou Lula. EFE ol/ab/rr

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