BRUXELAS - Os negociadores do Governo e a direção do banco belga KBC chegaram hoje a um acordo sobre o futuro da entidade - sobre o qual não forneceram detalhes - que será ratificado no começo da manhã desta segunda-feira pelos ministros, segundo a edição digital do jornal Le Soir.

O objetivo é contar com uma decisão oficial antes da abertura da bolsa, mas não se descarta que um atraso na aprovação do texto possa provocar a suspensão da cotação dos títulos do KBC pelo menos durante algumas horas.

O grupo bancário e de seguros belga, o único de peso no mercado do país que ainda não tinha recebido assistência pública, solicitou uma intervenção estatal no valor de 3,5 bilhões de euros, depois que na sexta-feira registrou a perda mais forte em bolsa dos últimos 12 anos, de 7%.

Desde então, as negociações para perfilar a operação se estenderam todo o fim de semana, complicadas pela ausência do primeiro-ministro, Yves Leterme, que foi à China para assistir à Cúpula Europa-Ásia (Asem), e do ministro de Finanças, Didier Reynders, de visita oficial ao Marrocos.

A imprensa belga cogita diferentes teorias este fim de semana sobre o valor e a forma proposta pelo KBC ao Estado.

A que ganhou mais força nas últimas horas foi a recapitalização, inspirada no modelo holandês, que se traduziu em uma injeção de capital de 10 bilhões de euros no banco ING há uma semana.

Segundo o jornal flamengo "De Tijd", a operação se desenvolverá na forma de "emissão de ações sem direitos a voto".

O Estado belga disporia de um ou dois representantes no conselho de administração do banco, sem que isto prejudicasse a posição dos acionistas atuais.

Já a rádio pública belga "RTBF" afirma que o banco poderia se conformar com a segunda opção: receber uma garantia de Estado, uma forma mais simples que a recapitalização e que já foi implementada para o resgate de outros três bancos belgas (Dexia, Fortis e Ethias).

Das duas possíveis formas de intervenção, a injeção de capital é a mais complicada, principalmente porque difere da aplicada até agora e requereria verificar que existam razões objetivas para tratar o KBC de forma diferenciada.

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