O Ministério do Trabalho estuda ampliar pontualmente o número de parcelas do seguro-desemprego aos trabalhadores demitidos em setores econômicos mais afetados pela crise financeira. O ministro Carlos Lupi, segundo sua assessoria, determinou à sua equipe técnica que monitore os desligamentos formais de empregados, por meio dos registros do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), para ter um diagnóstico preciso de onde o problema pode se agravar.

As centrais sindicais pediram a Lupi, na semana passada, o aumento do número de parcelas - que hoje variam de três a cinco dependendo da atividade e da faixa salarial do empregado - para até dez parcelas. O ministro disse aos sindicalistas ser favorável à idéia, mas não de forma generalizada. A ampliação do benefício é uma medida temporária que já foi adotada outras vezes.

Em 2006, por exemplo, os desempregados dos setores calçadista, de fabricação de móveis e de fabricação de tratores - demitidos entre janeiro e junho daquele ano - receberam mais duas parcelas do seguro. O número de demissões nesses segmentos, que chegou a quase 80 mil no período, foi considerado elevado e provocado pela perda de competitividade externa das empresas em razão da queda do dólar frente ao real.

A adoção de medidas que garantam emprego foi a principal reivindicação feita hoje na 5ª Marcha dos Trabalhadores. Por cinco horas, milhares de pessoas organizadas por seis centrais sindicais caminharam pela Esplanada dos Ministérios. O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique Silva, defendeu que o governo exija das empresas que receberem socorro de bancos públicos ou que forem beneficiadas por desoneração de impostos a contrapartida de não demitirem.

"O presidente Lula tem dito que as pessoas precisam consumir. Nós completamos que as pessoas só vão fazer isso tendo a garantia de que não serão demitidas", afirmou o dirigente. O presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Antônio Neto, acrescentou que isso é o mínimo que se pode exigir de empresas que têm se beneficiado de "recursos dos trabalhadores, como o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS)" para voltarem a ter acesso ao crédito. Para ele, isso não vai engessar as empresas porque reforçará o consumo interno, que, por sua vez, garantirá lucro.

Após marchar pela Esplanada, um grupo de sindicalistas foi recebido pelo presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, e pelo ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Luiz Dulci. Além das medidas direcionadas ao emprego, os sindicalistas pressionaram pela aprovação da proposta de redução da jornada de trabalho e o fim do fator previdenciário.

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