A Argentina avançou hoje em seu caminho de eliminação gradual dos subsídios concedidos aos setores chaves do país. O ministro de Planejamento, Julio De Vido, anunciou uma redução direta e significativa dos subsídios ao setor de gás, com objetivo de ajudar a consolidar as contas fiscais.

A medida representará uma economia de 1,4 bilhão de pesos por ano (cerca de R$ 980,8 milhões). De Vido disse que esses recursos serão usados na construção de obras públicas, especialmente na área de energia.

A redução dos subsídios implica aumento das tarifas de gás diferenciadas para as residências e grandes usuários, como indústrias e comércio. Segundo o ministro, 64% das residências, que consomem 34% da oferta de gás, não serão afetadas pelos aumentos. "Dos 6,5 milhões de lares, 4,1 milhões não terão aumento e multas por consumo acima dos limites", afirmou. Ainda de acordo com o ministro, as medidas representam um aumento de 18 pesos (em torno de R$ 12,50) para os consumidores residenciais e de 185 pesos (R$ 129,20) para os grandes consumidores.

De Vido foi enfático no que diz respeito à punição das empresas que não cumprirem com o fornecimento de gás e de energia aos consumidores. Ontem, Buenos Aires registrou o dia mais quente dos últimos 53 anos, com 41 graus (sensação térmica). A elevada temperatura provocou 44 mil cortes de energia em vários bairros da capital e arredores. Mais de 400 mil residências e estabelecimentos comerciais ficaram sem energia elétrica. A medida confirma mais uma vez a crise energética que afeta o país há quatro anos, mas que o governo nunca reconheceu publicamente.

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