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Governo argentino negocia saída para a Aerolíneas Argentinas

Alejandro Méndez Buenos Aires, 14 jul (EFE).- O Governo argentino procura uma saída para a companhia aérea Aerolíneas Argentinas e para sua subsidiária Austral, controladas pelo grupo espanhol Marsans, que quer se desligar da primeira o mais rápido possível.

EFE |

O motivo para a retirada da empresa espanhola da companhia aérea é a intensificação dos problemas econômicos dessa última depois de cinco anos de sucessivos conflitos.

O secretário de Transportes argentino, Ricardo Jaime, negou hoje, em declarações à imprensa local, que o Governo pretenda nacionalizar a Aerolíneas e insistiu em que o Executivo será "respeitoso" com a decisão do juiz comercial Jorge Sicoli, a quem foi pedido que interviesse no processo perante a crise da companhia aérea.

As declarações do secretário de Transportes coincidem com as discussões entre as partes para criar uma comissão encarregada de administrar as companhias aéreas e outra dedicada a determinar o valor do capital acionário nas mãos do Marsans, disseram à Agência Efe fontes ligadas às negociações.

Com certa divergência, estabeleceram que as duas comissões seriam formadas com representantes do Marsans e do Estado argentino, que é acionista minoritário das companhias aéreas, mas também com o principal credor, na frente da petrolífera YPF, filial da espanhola Repsol, bancos, e outros.

Os porta-vozes assinalaram que em 45 dias seria possível concluir a auditoria das empresas, mas admitiram que o maior empecilho é a divergência sobre as dívidas da Aerolíneas Argentinas, que o Governo calculou em US$ 900 milhões.

Os ativos da Austral, que, ao contrário da Aerolíneas, não enfrenta reivindicações judiciais de seus credores, valem cerca de US$ 400 milhões, segundo fontes do mercado aeronáutico argentino, onde as companhias controladas pelo Marsans têm uma participação próxima dos 80%.

As negociações estão correndo sob sigilo, após ter sido anunciado que o grupo espanhol pretendia deixar de investir o quanto antes na Aerolíneas, e quando pesa o pedido de intervenção judicial a Sicoli, apresentado na quinta-feira passada pelo Estado e cinco sindicatos aeronáuticos perante a crise econômica das companhias aéreas.

Sicoli convocou os acionistas e representantes dos sindicatos para uma audiência amanhã, a fim de tratar do pedido de intervenção.

Para indignação dos clientes, a Aerolíneas Argentinas e a Austral voltaram a adiar ou suspender hoje 12 serviços, como ocorre desde a última sexta-feira, assim como aconteceu no fim do ano passado por razões climáticas ou greves.

Fontes sindicais reiteraram hoje à Agência Efe que 60% do total dos 68 aviões das duas companhias estão fora de serviço por falta de manutenção, quando as vendas de passagens superam em 70% a sua capacidade operacional.

Da mesma forma que o Governo, os sindicatos aeronáuticos computam a venda antecipada de passagens entre os milionários passivos da Aerolíneas Argentinas e ressaltam que as dívidas crescem na medida em que não se reparam os aviões fora de serviço devido ao custo de aluguel de hangares.

O Marsans sustenta que a Aerolíneas Argentinas têm uma dívida "exigível" (compromissos firmes de pagamento) de US$ 240 milhões acumulados no último ano, dos quais cerca de US$ 112 milhões correspondem a obrigações com bancos.

A companhia aérea argentina esteve no olho do furacão desde sua privatização, mas nos últimos cinco anos foram registrados vários problemas, como conflitos sindicais, desavenças entre os sócios e brigas com o Governo.

Os conflitos com os sindicatos, que sempre se opuseram à privatização, multiplicaram-se em meados do ano passado com greves que afetaram milhares de passageiros, enquanto se complicava a situação econômica da companhia no contexto da crise global do setor aeronáutico.

Gerardo Díaz Ferrán, um dos donos do Marsans e presidente da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais (CEOE), disse que o Governo argentino contribuiu para crise, entre outras duras declarações publicadas na semana passada pela imprensa.

O secretário de Transportes argentino respondeu que o grupo espanhol foi quem "descumpriu compromissos" e destacou que o Estado acaba de emprestar US$ 100 milhões para que a Aerolíneas Argentinas "continue operando", além de atualizar suas tarifas e subsidiar suas compras de combustíveis.

O controle da Aerolíneas Argentinas e de suas subsidiárias passou para o grupo Marsans em 2001. EFE alm/ab/db

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