A China crescerá pelo menos 8% em 2009, anunciou o Birô Nacional de Estatísticas, que divulgou uma série de índices econômicos que confirmam o êxito do plano de recuperação adotado por Pequim em novembro de 2008.

"Com os resultados de outubro à vista, o governo tem mais razões para acreditar que as bases da economia se reforçaram o suficiente para alcançar a meta de crescimento do ano", declarou Sheng Laiyun, porta-voz do Escritório Nacional.

Em outubro, aumentaram a produção industrial, as vendas no varejo e os investimentos em capital fixo, com quedas mais moderadas dos preços e das exportações.

O bom momento da economia é consequência direta das medidas adotadas pelo governo chinês nos últimos 11 meses: um grande plano de recuperação de mais de 500 bilhões de dólares em dois anos, destinados principalmente aos investimentos, flexibilização da política monetária e medidas fiscais de apoio à indústria.

Um dos principais resultados foi o salto de 33,1% dos investimentos em capital fixo entre janeiro e outubro de 2009, 5,9 pontos a mais que durante o mesmo período em 2008.

A produção industrial voltou a subir em outubro, alcançando 16,1% em ritmo anual, contra +8,2% no mesmo mês em 2008), quando a crise mundial começou a afetar a China.

O índice de preços ao consumidor, principal indicador de inflação ou deflação, atenuou a queda, mas ainda evolui na zona negativa.

Em outubro, o índice anual registrou baixa de 0,5%, contra queda de 1,1% nos primeiros nove meses do ano.

O índice anual das vendas no varejo, reflexo do consumo da população, subiu 16,1% em outubro, uma alta menor que a do mesmo período de 2008, mas superior a de setembro.

Há vários anos, o governo chinês tenta estimular o consumo residencial, o que em 2009 coincide com o objetivo de acelerar o reequilíbrio da economia.

Os críticos do plano de recuperação da economia afirmam que para compensar a queda das exportações, principal motor do enriquecimento dos últimos 20 anos, a China depende em demasia dos investimentos públicos e do crédito fácil implementado pelo governo, em detrimento do consumo, o que no momento contribui de modo insuficiente para o crescimento.

"A parte do consumo no crescimento econômico vai continuar aumentando", afirmou Sheng, que prevê um boom até 14 de fevereiro, data do Ano Novo chinês, no mais tardar.

Ao mesmo tempo, o comércio exterior chinês deu novos sinais de recuperação, registrando um excedente de quase 24 bilhões de dólares.

O índice anual das exportações registrou queda menor em outubro na comparação com setembro, -13,8% contra -15,2% respectivamente.

Todos os dados confortam o governo, que já começou, aos poucos, a afinar a política de controle monetário flexível.

Ao mesmo tempo, os bancos chineses frearam em outubro a concessão de créditos na comparação com os meses precedentes, segundo o Banco Central da China.

"As estatísticas econômicas confirmam que a recuperação está em marcha", afirmou Jing Ulrich, analista do banco americano JP Morgan.

jg/fp

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