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O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, disse que o governo não deixará desamparadas as empresas brasileiras que estão enfrentando problemas de caixa por terem aplicado no mercado de câmbio, mas também não as protegerá. O governo não vai deixar ninguém desassistido, mas também não passará a mão na cabeça de ninguém, disse Marco Aurélio.

O assessor confirmou que as informações disponíveis são de que cerca de 200 empresas brasileiras foram afetadas por operações com derivativos de câmbio. Sobre a existência de bancos na lista das instituições com problemas de caixa, Marco Aurélio assegurou: "Banco, não tem nenhum".

Marco Aurélio avisou ainda que as eventuais medidas para ajudar as empresas em dificuldade "serão tomadas dentro dos parâmetros legais, com todas as garantias no que o governo ajudar". E completou: "O governo será remunerado de forma adequada, com garantias reais". Ele não quis, entretanto, se estender na análise do assunto, alegando tratar-se de uma questão técnica que exige conhecimento exato da extensão do problema.

O assessor especial avaliou que o número estimado de 200 empresas envolvidas na bolha cambial não representa "uma coisa avassaladora". Ele disse que o governo está tranqüilo, administrando a crise, e mencionou o comportamento favorável das bolsas de valores, em todo o mundo, nos últimos dois dias, além da queda do dólar no Brasil. "O dólar está caindo. Vamos entrar num patamar aceitável porque ele estava muito baixo." Porém, reconheceu que pode haver mais empresas com prejuízo.

"Em um primeiro momento apareceram duas empresas", disse, referindo-se à Sadia e à Aracruz. "Depois, surgiu a uma terceira", prosseguiu, fazendo referência ao Grupo Votorantin. "Eu imagino que esta esperteza (de investir em dólar) não tenha sido só de duas ou três empresas. Seguramente, tem muito mais gente nessa lista", disse, acrescentando que quem fez esse tipo de aplicação, na verdade, foi "pouco esperto".

Marco Aurélio disse que o tom das últimas conversas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, é de otimismo porque as medidas adotadas em todo o mundo começam a apresentar resultados.

"Até domingo, os governos do mundo vinham adotando medidas, mas elas não faziam efeito porque faltava confiança", afirmou o assessor. "Agora os agentes financeiros passaram a ter confiança e as medidas começaram a apresentar efeito."

Ele informou que, assim que o presidente Lula desembarcou ontem à noite em Nova Delhi, na Índia, vindo da Espanha, ligou para Mantega, que ainda estava em Washington. A intenção era se atualizar sobre a crise e as medidas que estão sendo tomadas pelos governos.

Marco Aurélio anunciou ainda a decisão de Lula de ir à Cúpula Ibero-Americana, que será realizada de 29 a 31 de outubro, em San Salvador. "Como se incluiu na agenda o tema da crise, o presidente achou importante estar presente à reunião, em um momento grave como este", observou.

Hoje, Lula participa da reunião do Forum de Diálogo Índia, Brasil e África do Sul (Ibas). Nos discursos que fará, o presidente vai lembrar a importância, neste momento de crise econômica, de alcançar um bom resultado nas negociações da Rodada Doha, da Organização Mundial de Comércio (OMC). Lula insistirá ainda na necessidade de mudanças nos mecanismos de controle do mercado financeiro internacional. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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