Lisboa, 3 mai (EFE).- O Partido Socialista (PS) de Portugal, do primeiro-ministro José Sócrates, quer que a União Europeia (UE) inicie processos judiciais contra os "ataques especulativos" de agências de classificação de risco e crie uma entidade que faça suas próprias avaliações financeiras.

Lisboa, 3 mai (EFE).- O Partido Socialista (PS) de Portugal, do primeiro-ministro José Sócrates, quer que a União Europeia (UE) inicie processos judiciais contra os "ataques especulativos" de agências de classificação de risco e crie uma entidade que faça suas próprias avaliações financeiras. O líder parlamentar dos socialistas portugueses, Francisco Assis, propôs hoje, em declarações à imprensa local, que a UE siga o exemplo dos estados norte-americanos que já processaram na Justiça algumas agências, acusando-as de manipulação e especulação. Assis explicou que essas medidas "só fariam sentido se fossem aplicadas no espaço europeu". Para ele, processos judiciais realizados por um único Estado-membro do bloco "não seriam de nenhuma utilidade", especialmente se esse país "é vítima de ofensivas especulativas por parte dessas agências". Portugal viu nos últimos meses como as agências rebaixavam suas avaliações de crédito, o que elevou os custos de financiamento do Estado e das instituições privadas e sustentou o temor dos mercados de que se repita a crise grega, uma hipótese injustificada segundo o Governo português. O deputado socialista afirmou que uma das lições da crise atual é "a necessidade de estabelecer novos mecanismos de regulação". Segundo ele, no contexto atual, há "um componente de ataque ao euro" que se transformou em "sucessivos ataques especulativos" aos países com economias mais fracas. Uma das soluções a este problema, sustentou, passa pela criação de uma agência de classificação de risco europeia, que deveria contar com a participação de todos os Estados-membros. O último rebaixamento da avaliação da dívida portuguesa foi feito na semana passada pela agência Standard & Poor's (S&P). Assis considerou positiva a participação de Portugal no pacote de ajuda financeira à Grécia, com uma quantia de 2,064 bilhões de euros, e apontou que a crise grega é resultado de uma "ofensiva especulativa". "A Europa já entendeu que este ataque à Grécia é, na realidade, um ataque a todo o projeto europeu", acrescentou Assis. Para ele, "quando um país europeu é atacado, toda a Europa deve reagir". Portugal anunciou na semana passada várias medidas de combate à especulação e à desconfiança nos mercados internacionais, entre as quais estão cortes de seguro-desemprego e outros tipos de assistência social, pelos quais o Governo pretende reduzir o déficit de 2010 para 8,3%, contra os 9,4% de 2009. EFE prl/sa

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