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Berlim, 11 nov (EFE).- O ex-presidente soviético e ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1990, Mikhail Gorbachev, exigiu hoje que a comunidade internacional detenha a nova corrida armamentista mundial e se comprometa de forma decidida com o desarmamento nuclear.

"Não necessitamos armas nucleares. Necessitamos um mundo sem guerras para poder enfrentar os desafios do século XXI", afirmou Gorbachev, durante o 10º Congresso dos Prêmios Nobel da Paz, que termina hoje em Berlim.

O congresso reuniu alguns dos contemplados com o prêmio, como o ex-presidentes polonês e o sul-africano Lech Walesa e Frederick Willem De Klerk e o bengalês Mohammed Yunus.

Gorbachev disse que há "esperanças" que os esforços pela não-proliferação nuclear avancem graças ao reatamento das negociações entre Washington e Moscou sobre o desarmamento, desde que o presidente americano, Barack Obama, chegou à Casa Branca.

"É preciso desmilitarizar o mundo. As armas não conseguem nos salvar", disse.

O ex-presidente soviético lamentou que haja países que considerem as armas nucleares como "medidas de segurança preventiva" e cifrou a despesa mundial em defesa em US$ 1,5 trilhão, dos quais um terço corresponde ao valor gasto pelos Estados Unidos.

De Klerk expôs, por sua parte, o caso da África do Sul, que nos anos 90 realizou seu próprio programa de eliminação de armas nucleares.

"Aprendemos que a segurança no longo prazo não está na posse de armas nucleares", disse.

De Klerk qualificou ainda de "inaceitável" que poucas potências "controlem o monopólio" da tecnologia nuclear e defendeu um "desmantelamento transparente" de todos os arsenais atuais.

"Se a África do Sul conseguiu, não há motivo para outros não fazerem o mesmo", acrescentou. EFE nvm/pd

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