Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Google entrega a CPI 18 mil documentos sobre pedofilia na internet

O Google Brasil entregou ontem à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia, em Brasília, 18.330 álbuns do Orkut suspeitos de conter imagens de pornografia infantil.

Agência Estado |

Os endereços eletrônicos, solicitados em 2 de julho, foram identificados com base em denúncias enviadas à ONG SaferNet. O presidente da CPI, senador Magno Malta (PR-ES), espera identificar até 8 mil pedófilos que atuam na maior rede virtual de relacionamentos do País, com 27 milhões de usuários. "O próximo passo será identificar os IPs (os computadores dos usuários) e quebrar o sigilo telefônico dos suspeitos."

Malta disse que os novos dados, em conjunto com a aprovação pela Câmara dos Deputados hoje de uma legislação mais rígida contra a pedofilia, permitirão fazer a maior operação policial já vista no País contra abusos infantis. "E não será uma ação qualquer, como ocorre hoje, só com buscas e apreensões. Qualquer proprietário de qualquer computador que distribuir ou guardar pedofilia poderá ser preso."

O diretor de Comunicação do Google Brasil, Félix Ximenes, disse que a empresa acatou uma ordem da comissão. "Entregamos o material porque a CPI tem poder de investigação e de polícia", afirmou ele, ao destacar que a companhia está disposta a colaborar. "Se for comprovada qualquer irregularidade, excluiremos os usuários." Entre os denunciados há perfis ativos e inativos.

Segundo Ximenes, a demora em levantar as informações se deu porque a equipe técnica da CPI solicitou mudanças nos formatos das imagens. O presidente da SaferNet, Thiago Tavares, confirmou a necessidade de alteração dos arquivos, que serão processados por uma ferramenta desenvolvida pela ONG e cedida à CPI. O software permite triagem semi-automatizada de material pornográfico infantil.

Para Tavares, no entanto, o Google poderia ter sido mais ágil. "A empresa disse que eram muitas páginas, muito conteúdo e tiveram dificuldades para adaptar o formato. Levaram quatro meses para cumprir uma ordem de quebra de sigilo. Era possível reunir esse material em 30 dias", afirmou Tavares.

Em abril, já haviam sido entregues à comissão 3.261 álbuns, que permitiram a identificação de 500 pedófilos e renderam material para a deflagração, em setembro, da Operação Carrossel 2, a maior do gênero já feita pela Polícia Federal, que resultou em busca e apreensão de farta quantidade de pornografia infantil em 113 endereços no País. O desbaratamento dessa rede ainda levou informações ao banco de dados da Interpol e permitiu operações inéditas na Europa. Mas só uma pessoa foi presa no Brasil - em flagrante, transmitindo imagens pornográficas.

A abertura desses conteúdos no Orkut, porém, só foi possível após uma briga judicial. Em 2005, o Ministério Público Federal (MPF) entrou com ações civis contra o Google para conseguir acesso a dados de supostos pedófilos. Em junho deste ano, a CPI da Pedofilia ameaçou entrar com um processo para fechar a empresa, caso não colaborasse.

Os procuradores da República alegavam que a empresa se recusava a fornecer informações, com base na legislação da matriz americana. Também haveria resistência na manutenção dos dados além de 30 dias, insuficientes para se comprovar a "materialidade" dos crimes. O conflito se agravou quando o MPF denunciou o serviço de mensagens e álbuns restritos a convidados autorizados pelos usuários, criado em 2007. O sigilo permitia, para os procuradores, trocas de imagens de pornografia infantil.

Uma solução só foi possível com a assinatura, em julho de 2008, de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). O acordo prevê que o Google Brasil, após receber denúncias via internet ou SaferNet, deverá encaminhar ao MPF dados de usuários suspeitos. O Google deverá também armazenar essas "provas" por seis meses, renováveis pelo mesmo período.

A entrega dos álbuns ontem à CPI, de acordo com o executivo da Google, não tem relação com o TAC. "Continuamos cooperando e cumprindo o acordo. Já tivemos correspondências (troca de informações sobre usuários suspeitos) com o Ministério Público", afirmou Ximenes. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG