O banco de investimentos americano Goldman Sachs anunciou ontem uma perda líquida de US$ 2,12 bilhões no quarto trimestre de seu ano de exercício fiscal de 2008 (encerrado no fim de novembro). Foram as primeiras perdas desde sua estréia na bolsa em 1999.

Isso representa uma perda de US$ 4,97 por ação, bem mais pesada que o esperado. O mercado previa prejuízo de US$ 3,50.

O Goldman Sachs foi o primeiro grande banco mundial a publicar seus resultados no período correspondente à crise financeira. Nos três meses anteriores, o banco ganhou US$ 1,81 por ação. O Goldman Sachs despertou admiração de seus pares por ter conseguido até então obter lucros, apesar da crise financeira.

No acumulado do exercício, o mais importante banco de investimentos do mundo conseguiu se manter no azul, com lucro de US$ 2,32 bilhões. Mas esse resultado é 80% inferior aos US$ 11,59 bilhões de um ano antes, segundo um comunicado divulgado pelo Goldman Sachs.

"Nossos resultados do quarto trimestre refletem as condições extremamente difíceis nas quais tivemos de operar, e inclusive uma forte queda do valor de praticamente todos os tipos de ativos", destacou o presidente Lloyd Blankfein, citado em um comunicado do grupo. "Se nosso desempenho trimestral não respondeu evidentemente às nossas expectativas, o Goldman Sachs se manteve lucrativo no decorrer de um dos anos mais difíceis de nossa existência", completou Blankfein.

Após o anúncio de suas primeiras perdas trimestrais, a agência de classificação de risco Moodys Investors Service reduziu em um grau a nota do banco, para "A1", e avisou que deve haver novas baixas.

O produto líquido bancário (o equivalente ao faturamento) do Goldman Sachs foi negativo no quarto trimestre em US$ 1,58 bilhão, o que reflete a importância das provisões pelo grupo. O grupo destacou que seus ativos perderam US$ 84 bilhões de dólares no quarto trimestre, e são agora de US$ 779 bilhões.

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