A Gol anunciou ontem um prejuízo de R$ 216,7 milhões no segundo trimestre de 2008, mais uma vez provocado pelas perdas da Varig. Trata-se do quarto prejuízo trimestral consecutivo do grupo, que há um ano registrava lucro líquido de R$ 157 milhões no mesmo período.

Com o resultado, o custo da Varig para a Gol, incluindo a aquisição, já passa de R$ 1,1 bilhão. A Varig foi comprada no início de 2007, mas seu impacto começou a ser sentido apenas no terceiro semestre. "A Gol vai gastar muita energia com a reestruturação da Varig. Ela assimilou uma estrutura muito inchada e o benefício foi nulo", diz a analista da Link Investimentos, Maria Tereza Azevedo.

Já a TAM, conseguiu sair do vermelho e exibir um lucro líquido de R$ 50,2 milhões. Um ano antes, o prejuízo havia sido de R$ 28,6 milhões. A receita operacional líquida da TAM foi de R$ 2,514 bilhões no segundo trimestre de 2008, um aumento de 27,7% na comparação anual. A receita líquida da Gol foi de R$ 1,458 bilhão no segundo trimestre de 2008, expansão de 26,6% em comparação ao mesmo período do ano passado.

Essa é a primeira vez que as duas empresas anunciam balanços no mesmo dia. Com números bastante superiores ao da rival, a TAM antecipou seu anúncio, previsto para amanhã. "Ficou claro que a TAM quis forçar uma comparação", diz Tereza.

Para ela, o balanço da TAM foi "muito positivo", embora ainda seja cedo para falar em superação da crise aérea. "A empresa registrou uma queda de geração de caixa de 14% no semestre em relação ao mesmo período do ano passado. Ainda não é excelente, mas já melhorou bastante e está bem melhor do que a Gol", diz Tereza. Na sua avaliação, será preciso para a TAM exibir mais "três ou quatro balanços" positivos para se dizer que a crise foi superada. "A rentabilidade ainda está muito baixa, mas a comparação deixa bem claro que a TAM está em uma situação bem melhor", diz o analista do banco Santander, Caio Dias. "E o balanço da Gol foi ruim como era esperado."

Fusão

Além da crise do setor aéreo, TAM e Gol sentem o impacto da alta do combustível, que reponde por 30% a 40% dos custos. No caso da Gol, Dias afirma que o sinal verde do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para a união com a Varig vai ajudar a o grupo a voltar ao azul. Em teleconferência com analistas ontem, o presidente da Gol, Constantino Junior, afirmou que o grupo poderá economizar R$ 180 milhões.

Mas Junior admitiu que, a fusão levará a uma redução da participação do grupo no mercado doméstico. "Nosso foco agora é retomar a rentabilidade da companhia", disse Junior, que aposta em um equilíbrio das contas no início do quarto trimestre. "A questão da participação fica neste momento em segundo plano."

Na semana passada, a Gol havia anunciado uma redução de 12 aviões em seu plano de aumento de frota. Com a deterioração das contas, surgiram rumores que Constantino sairia da presidência da empresa, o que foi negado pelo executivo. "Se a possibilidade existe, não é do meu conhecimento."

Como a demanda continua aquecida no Brasil, o resultado das duas companhias dependerá principalmente da cotação do petróleo, avalia Caio Dias, do Santander. "O petróleo deu uma esfriada, caindo de US$ 150 para US$ 113, mas ainda é um risco de curto prazo." As informações são do O Estado de S. Paulo

*C/ Beth Moreira

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