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Gol corta dividendos e jatos

Pela primeira vez desde que abriu capital, em 2004, a Gol anunciou ontem a suspensão do pagamento de dividendos trimestrais aos seus acionistas para o resto deste ano, conforme decisão tomada pelo Conselho de Administração da empresa, em reunião na quarta-feira. A empresa também comunicou a revisão de seu plano de aumento de frota, com o corte de 12 aviões.

Agência Estado |

Ainda ontem, a agência de classificação de risco Moodys rebaixou a nota da companhia. Com essas notícias, as ações da Gol despencaram 13,11%, maior queda registrada em um dia desde que a empresa abriu capital.

Especialistas do setor aéreo ouvidos pelo Estado consideram que as medidas anunciadas ontem pela Gol foram influenciadas, em grande parte, pela compra da Varig, em março do ano passado, por US$ 320 milhões.

Por isso, o presidente da companhia, Constantino de Oliveira Junior, estaria sendo cobrado pelos acionistas a apresentar melhores resultados e estaria até sendo pressionado para deixar o cargo, segundo fontes ligadas à empresa. Procurada pela reportagem, a Gol negou que Junior vá deixar o cargo.

"As medidas adotadas são necessárias para que a companhia se prepare para a próxima fase de seu crescimento e estão alinhadas com a nossa estratégia de expansão rentável baseada na estrutura de baixo custo", declarou Junior, por meio de um comunicado ao mercado.

O especialista em aviação da consultoria Bain & Company, André Castellini, acredita que o erro de estratégia da Gol começou na compra da Varig. "A aquisição da Varig refletiu nos resultados financeiros da companhia e motivou o corte dos dividendos. Já a revisão do planejamento de frota e da oferta, medidas que já eram esperadas, foram motivadas pela alta do petróleo", disse Castellini.

O ex-diretor-geral do Departamento de Aviação Civil, que antecedeu a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), brigadeiro Mauro Gandra, concorda que a compra da Varig teve um peso excessivo nos resultados da Gol. "Não tenho a menor dúvida que a Varig motivou essa situação da Gol, que está fazendo o que todas as companhias estão fazendo", afirmou Gandra, referindo-se à redução de custos do setor, para evitar uma nova crise financeira.

O comunicado da Gol informa que a companhia, apesar de suspender os dividendos trimestrais, vai efetuar o pagamento mínimo de 25% do seu lucro aos acionistas. A empresa destaca que desde 2004 já distribuiu R$ 664,7 milhões em dividendos.

A Gol também comunicou que vai reduzir seu plano de ampliação de frota em sete aviões. Desse total, serão dois modelos 737-800, da Boeing, que seriam arrendados ainda este ano. Para 2009, a companhia reduziu em cinco 737-800. A empresa também informa que todos os 737-300 e 767-300 serão substituídos por 737-700 e 737-800.

Ainda de acordo com o comunicado, a oferta de assentos da Gol para todo o ano de 2008 está projetada em 41 bilhões de assentos por quilômetro, sendo 32,5 bilhões para o mercado doméstico e 8,5 bilhões para os vôos ao exterior. Isso representa uma redução de 5% em relação às previsões feitas anteriormente pela companhia.

A Gol informa que a renovação da frota faz parte da estratégia da empresa de reduzir seus custos operacionais com a utilização de aviões mais modernos e com melhor eficiência no gasto de combustível. O querosene de aviação, que já subiu 36,38% desde o início do ano e responde, em média, por pelo menos 35% dos custos de uma empresa aérea.

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