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A General Motors (GM) fará um ajuste para reduzir a produção de outubro em sua unidade de Gravataí (RS), paralisando a linha de produção nos dias 17, 20 e 31. Além disso, a fábrica gaúcha deixará de cumprir 22 minutos diários de horas extras a partir da próxima segunda-feira.

Dessa forma, cerca de três mil veículos deixarão de ser produzidos em outubro em Gravataí. Segundo a empresa, a medida está relacionada à retração das exportações. A unidade de Gravataí vende o Celta para países da América Central.

Na semana passada, a General Motors já havia anunciado férias coletivas em três fábricas no País (São Caetano do Sul, São José dos Campos e Mogi das Cruzes, todas em São Paulo), mas não divulgou o motivo da medida.

A Fiat também anunciou na semana passada férias coletivas para os empregados da fábrica de Betim (MG). A empresa disse ter tomado a medida para dividir a parada que ocorre no fim do ano em duas etapas, evitando que a produção seja suspensa de uma vez.

Apesar desses anúncios, o setor ainda considera cedo para falar em crise e suspensão de projetos. "Nesse momento, é preciso ter serenidade e não se deixar levar por um comportamento de mercado que despenca num dia e sobe no outro", diz o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider.

Ele reforça que não se pode agir de forma emocional. "Aí, agiremos de maneira que ultrapassa a fronteira psicológica e criaremos uma profecia auto-realizável." Schneider ressalta que as vendas de carros em setembro, que apresentaram crescimento de quase 10% ante agosto, mostram um mercado positivo.

Já as empresas que fornecem componentes para as montadoras estão indecisas. O presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Paulo Butori, declarou que o setor não tem condições de garantir o programa de investimento de US$ 2,2 bilhões previsto para 2009. "Neste momento, não podemos assegurar que as empresas manterão seus planos, pois vai depender do que ocorrer daqui para frente", diz. Segundo ele, as restrições ao crédito internacional certamente terão impacto nas multinacionais que atuam no País.

O investimento visa a preparar a indústria de autopeças para atender, sem gargalos, a meta das montadoras de ampliar a capacidade dos atuais 3,5 milhões para 4 milhões de veículos/ano. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.