A General Motors voltou a dar sinais de incertezas em relação ao seu futuro ao divulgar ontem, nos Estados Unidos, perdas globais de US$ 30,9 bilhões em 2008, sendo US$ 9,6 bilhões no último trimestre. É o segundo maior prejuízo da história da companhia.

Nos últimos quatro anos, o grupo acumula US$ 86,8 bilhões em perdas, grande parte por causa das dificuldades que enfrenta nos EUA. Desde dezembro, a GM sobrevive com ajuda do governo americano, que já estuda a possibilidade de falência da companhia.

Após divulgar seu balanço ontem - cujo resultado só fica atrás do de 2007, quando a perda atingiu US$ 43,3 bilhões -, a GM informou que espera um sinal de alerta dos auditores que avaliam o risco da empresa, num momento em que atravessa as piores condições de mercado em décadas.

O parecer será enviado à SEC, órgão similar à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no Brasil, e deve ser divulgado em março. O diretor financeiro da GM, Ray Young, disse que o status de viabilidade vai depender em larga medida do sucesso da empresa em receber ajuda adicional do governo. Além dos US$ 13,4 bilhões já recebidos a partir de dezembro, a empresa pede mais US$ 16,6 bilhões para se manter até 2011.

A única esperança de sobrevivência da GM é que a administração de Barack Obama aprove seu plano de reestruturação, cujo resumo foi entregue em 17 de fevereiro e o texto final será apresentado no fim de março.

Executivos da GM, incluindo o presidente mundial Rick Wagoner, se reuniram ontem com representantes do Departamento do Tesouro na tentativa de obter o empréstimo extra que, segundo a empresa, é fundamental para evitar um pedido de concordata.

Segundo Young, os executivos responderão a perguntas das autoridades do Tesouro. "Não são negociações", disse ele. "Vamos responder ao pedido deles por mais informações sobre nosso plano."
AMBIENTE DIFÍCIL
No balanço divulgado ontem, Wagoner, declarou que "o ano de 2008 foi extremamente difícil nos Estados Unidos e nos demais mercados mundiais de automóveis, especialmente no segundo semestre".

Segundo o executivo, essas condições criaram um ambiente muito difícil para a GM e as demais montadoras, o que levou o grupo a adotar novas medidas drásticas e difíceis para reestruturar sua atividade.

"Acreditamos que essas condições difíceis vão continuar em 2009, e essa é a razão pela qual intensificamos nossas medidas de reestruturação", disse Wagoner.

No plano de reestruturação apresentado ao governo, a montadora prevê o corte de 47 mil funcionários até o fim do ano e o fechamento de cinco fábricas nos Estados Unidos até 2012. Do total de cortes, 26 mil serão fora dos EUA, principalmente na Europa e em alguns países asiáticos.

A GM registrou faturamento menor do que o esperado, de US$ 149 bilhões em 2008, ante US$ 152,6 bilhões previstos. Em 2007, o faturamento atingiu US$ 180 bilhões. Nos EUA, a empresa viu sua fatia do mercado encolher para 21% no fim de 2008, ante 22,7% um ano antes. No ano passado, a montadora perdeu para a japonesa Toyota o posto de maior fabricante mundial de veículos, mantido por 77 anos.

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