Caracas, 8 jul (EFE) - A filial na Venezuela da americana General Motors (GM) iniciou hoje uma interrupção progressiva da produção na fábrica principal, aparentemente por falta de peças para a montagem de veículos. Fontes da GM da Venezuela confirmaram à Agência Efe o início da interrupção progressiva da produção, mas não quiseram especificar os motivos da mesma. A imprensa local informa que a paralisação da produção durará pelo menos seis semanas, e que se deve à suposta ausência de material para encaixar os veículos. O jornal El Nacional, de Caracas, informou que a GM da Venezuela aprovou férias para os trabalhadores dos três turnos que possui na fábrica principal, localizada em Valencia, 120 quilômetros ao oeste de Caracas. De acordo com dados da Câmara Automotiva Venezuelana (Cavenez), a General Motors, através de sua marca Chevrolet, produz 51% dos carros que são encaixados no país e gera mais de 3.500 empregos diretos.

No primeiro semestre do ano, a Chevrolet vendeu 60.332 unidades, sendo 34.934 produzidas na Venezuela, acrescentou a Cavenez.

Na semana passada, representantes das unidades de montagem que operam no país alertaram para uma iminente "crise" no setor devido a "atrasos" tanto na concessão de divisas -no marco do controle de mudanças em vigor desde 2003- quanto na aprovação de licenças de importação.

Também ressaltaram a incerteza em relação à nova política oficial que exige que os automóveis novos tenham um sistema flex de combustível, que permita o uso de gasolina e diesel, o que obrigaria à suspensão das vendas até que o assunto fosse esclarecido.

Segundo a Federação de Associações de Distribuidores de Automóveis, desde que, em 1º de julho, entrou em vigor a exigência do sistema flex, "deixaram de ser vendidos seis mil" carros nacionais e importados, "porque não tem o kit flex", informou a imprensa local.

A suposta crise no setor das unidades de montagem ocorre ao mesmo tempo em que a Câmara Automotiva reportou, nesta segunda-feira, uma queda de 27,4% na venda de veículos novos durante o primeiro semestre do ano.

As restrições nas importações de autos, assim como as dificuldades para ter acesso às divisas, foram apontados como os responsáveis pela queda na comercialização de carros novos.

Na Venezuela foram vendidos um total de 491.899 veículos novos em 2007, 43,3% a mais que no ano anterior, de acordo com a Cavenez. EFE afs/db

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