SÃO PAULO - De olho em um mercado cuja rentabilidade chega a ser três vezes maior do que a dos veículos populares, a General Motors anunciou ontem um contrato de mais de R$ 3 bilhões com a fabricante de motores diesel MWM. Além do acordo, a montadora informou que pediu autorização à matriz para investir mais US$ 1 bilhão na renovação da linha de veículos produzidos no país e também na Argentina. Com isso, o volume de investimentos da GM no Brasil previsto até 2012 salta de US$ 1,5 bilhão para US$ 2,5 bilhões. O

pedido ocorre em meio à desaceleração dos mercados americano e europeu, o que deve facilitar o aval pela GM dos Estados Unidos. Segundo Jaime Ardila, presidente da GM no Brasil e Mercosul, está quase tudo aprovado.

Atualmente, duas fábricas da empresa no país podem receber o terceiro turno: São José dos Campos (SP) e Gravataí (RS). A unidade de São Caetano do Sul (SP) já opera nesse sistema. A parceria com a MWM prevê o fornecimento de 420 mil motores diesel de 2011 até 2018 para a linha de utilitários da montadora, que deverá ser ampliada e renovada nos próximos três anos, assim como as demais categorias produzidas pela subsidiária brasileira. A opção por reforçar a linha de utilitários também deverá trazer ao mercado nacional novos modelos de vans, minivans, SUVs (utilitários esportivos) e picapes.

O volume de motores diesel estimado para o período é 40% superior ao total fornecido pela MWM para os modelos S 10 e Blazer da GM nos últimos dez anos, que foi de aproximadamente 300 mil unidades. É o maior contrato firmado pela MWM na América do Sul, acrescentou Waldey Sanchez, presidente da empresa no país. A previsão das duas empresas é de uma produção anual de 60 mil utilitários equipados com motores diesel já a partir de 2011.

De acordo com o balanço do primeiro semestre da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foram vendidos 229.250 unidades de comerciais leves no país, incluindo modelos de menor porte como a Montana. Já conforme os dados do mês de junho da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), a GM ocupa a liderança nos emplacamentos de pick-ups grandes, com 30,94% do mercado brasileiro. No segmento de SUVs, no qual os modelos Blazer e Tracker estão incluídos, a montadora detém 7,92% de participação. Queremos ampliar nossa presença em um mercado [utilitários] crescente, afirmou Ardila.

Questionado sobre o fato de esse ser justamente o segmento que mais sofre nos EUA, o executivo ressalta que no Brasil ele ainda é incipiente. A situação energética do país é completamente diferente da americana, completou.

O último anúncio de investimento da GM do Brasil ocorreu há um mês. Na ocasião, a montadora informou ter obtido aprovação da matriz para aplicar US$ 500 milhões em sua fábrica de São José dos Campos. O montante está sendo destinado à linha de produção de seu novo veículo médio.

José Carlos Pinheiro Neto, vice-presidente da GM no país, reconhece que está mais fácil convencer a matriz para novos investimentos no mercado nacional. Pinheiro Neto informou também que a divisão dos resultados mudou drasticamente nos últimos dez anos. Segundo ele, antes 80% do faturamento global da companhia era referente ao mercado americano e os outros 20% pelas demais subsidiárias. Hoje, essa proporção é de 40% dos EUA e 60% de outras regiões.

(Guilherme Manechini | Valor Econômico)

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