María Peña. Washington, 4 dez (EFE).- Os principais executivos da General Motors, Ford e Chrysler voltaram hoje ao Capitólio para insistir na importância de estas três montadoras receberem um empréstimo emergencial de US$ 34 bilhões para evitar o colapso da indústria automobilística americana.

Os executivos, que em um gesto de austeridade abriram mão de seus jatos privados e viajaram até Washington em carros híbridos, reiteraram que a falência do setor "não é uma opção" e que, sem o resgate federal, a ruína dos fabricantes automotivos agravaria a crise econômica.

Desta vez, GM, Ford e Chrysler encontraram menos hostilidade ao pedido de socorro. Mas, ainda assim, perceberam um certo ceticismo em relação aos argumentos que apresentaram para merecer a ajuda, já que contribuíram muito para esta situação com falhas de gestão, produção e marketing.

"Estamos aqui hoje porque cometemos erros (...). Fatores fora de nosso controle nos empurraram para a beira" da ruína, admitiu o principal executivo da GM, Rick Wagoner, durante uma audiência na Comissão dos Bancos do Senado.

Wagoner e seus colegas da Ford, Alan Mulally, e da Chrysler, Robert Nardelli, foram ao Congresso para pedir de novo US$ 34 bilhões em empréstimos e linhas de crédito.

A GM, que pediu a maior parte dessa soma - US$ 18 bilhões -, diz precisar "imediatamente", para este e o próximo mês, de um total de US$ 8 bilhões.

Já a Ford pediu uma linha de crédito de US$ 9 bilhões para o caso de crise se agravar, enquanto a Chrysler pediu US$ 7 bilhões.

Nardelli defendeu seu plano de sobrevivência e frisou que a crise financeira, que estourou em 2007 e "piorou no segundo trimestre deste ano", fez as vendas de automóveis caírem para seu menor nível em mais de duas décadas, e ainda criou "enormes pressões" de liquidez.

O executivo disse que a Chrysler precisa do dinheiro "para dar continuidade à transformação que iniciou há pouco mais de um ano (...) e financiar o renascimento" de seus produtos.

Por sua vez, Mulally afirmou que a Ford não precisa de um empréstimo agora, mas alertou para o efeito dominó que causaria a falência de uma de suas concorrentes americanas.

Esse colapso "ameaçaria a Ford, porque dividimos 80% dos mesmos fornecedores e cerca de 25% de nossas principais concessionárias também têm franquias da GM e da Chrysler", explicou o executivo.

Os diretores das montadoras apresentaram pela primeira vez seus planos de reestruturação na terça-feira.

A previsão é que o Senado vote uma proposta de resgate na próxima semana.

Em contrapartida a uma eventual ajuda, GM, Ford e Chrysler se comprometeram: a reduzir os salários e bonificações de seus executivos, bem com os custos estruturais e de seu quadro de funcionários; a eliminar algumas marcas, concessionárias e instalações; e a fabricar veículos mais eficientes.

Mas o Governo, o Congresso e a opinião pública ainda estão receosos.

A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, disse nesta quinta que "é prematuro qualificar" os planos das três montadoras. Além disso, reiterou que o apoio do Executivo "dependerá da viabilidade" dessas propostas.

Por sua vez, o presidente da Comissão dos Bancos do Senado, Christopher Dodd, e seu colega Charles Schumer advertiram que, sem ações imediatas, haverá "milhões" de demissões.

A voz dissonante ficou por conta do republicano de maior representatividade nessa comissão, Richard Shelby, que expressou dúvidas sobre a ingerência do Governo e deixou transparecer que se oporia ao resgate se as respostas de Detroit não o deixarem satisfeitos.

Nos mercados, o economista-chefe da Moodyseconomy.com, Mark Zandi, disse que, sem ajuda, os fabricantes vão falir em dois anos, e que, na verdade, as montadoras precisarão de US$ 75 bilhões a US$ 125 bilhões para evitarem a quebra.

Segundo uma pesquisa da "CNN" realizada ontem, 61% dos americanos são contra um plano de resgate. EFE mp/sc

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