SÃO PAULO - As montadoras começaram a demitir trabalhadores na Argentina. Somente a General Motors e a Renault já decidiram, juntas, dispensar 550 operários que estavam em suas fábricas em regime temporário.

Os fabricantes de veículos aproveitam a crise que atinge a Argentina com mais força para enxugar o quadro de pessoal e, ao mesmo tempo, resolver pendências trabalhistas.

O governo argentino tem pressionado as empresas a contratar os empregados que estão em sistema de trabalho temporário. No caso da Renault, serão 300 dispensados. Além disso, segundo o presidente da Renault Mercosul, Jérôme Stoll, a fábrica argentina passará a produzir em um turno ao invés de dois.

No caso da GM, o presidente da operação Mercosul, Jaime Ardila, explica que a dispensa de 250 trabalhadores contratados em regime temporário se deve à suspensão da produção do modelo utilitário Grand Vitara, que passará a ser comercializado pela Suzuki, importado do Japão.

Segundo o vice-presidente da Honda na América do Sul, Kazuo Nozawa, por enquanto os planos para uma nova fábrica de automóveis na Argentina estão mantidos. " Já temos material comprado para a instalação da unidade, mas estamos atentos ao comportamento do mercado " , diz.

Na Ford, o diretor-executivo para a América do Sul, Canadá e México, David Schoch, afirma que a fábrica da montadora no país segue operando com um turno e que não houve demissões ou férias coletivas até o momento. " O mercado argentino, tradicionalmente, ganha força após setembro. Então, este é um período de avaliações para nós " , afirma.

Segundo Schoch, as férias da unidade estão programadas para o início do ano que vem. " Vamos ajustar a produção de acordo com a evolução do mercado local " , acrescenta o executivo, ao lembrar que a Ford começou há menos de três meses a produção do novo Focus na Argentina.

(Marli Olmos e Guilherme Manechini | Valor Econômico)

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