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GM deixa 1,6 mil metalúrgicos no fio da navalha

Estão ameaçados de demissão os 1,6 mil trabalhadores da produção da General Motors em São Caetano do Sul, no ABC paulista, admitidos em contrato de trabalho por tempo determinado entre fevereiro e abril do ano passado. Eles voltaram de férias coletivas anteontem, junto com os outros 4,4 mil empregados da montadora, mas não retomarão seus postos: estão em licença remunerada por tempo indeterminado.

Agência Estado |

A intenção da montadora, segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da cidade, Aparecido Inácio da Silva, o Cidão, era demitir todos, mas após longa reunião, que só terminou por volta de 22h30 da segunda-feira, houve um acordo pela licença remunerada.

A opção pela licença remunerada foi comemorada pelos sindicalistas como um "gol de placa", mas esses 1,6 mil metalúrgicos, porém, continuam na marca do pênalti da montadora, como admite o próprio presidente do sindicato. "Esses companheiros foram admitidos em contrato por tempo determinado, e muitos desses contratos vão expirar a partir de 27 de fevereiro, mas até lá vamos manter novos encontros com os representantes da empresa para evitar que essas demissões se concretizem", disse Cidão.

A GM divulgou nota em que informa que "em decorrência da diminuição da atividade industrial em geral e, particularmente, no setor automobilístico, decidiu colocar em licença remunerada 1.633 funcionários temporários, com contratos por prazo determinado de sua fábrica de São Caetano do Sul".

Cidão, cujo sindicato é filiado à Força Sindical, também fez uma espécie de desabafo, principalmente contra a Central Única dos Trabalhadores(CUT), cujos líderes criticaram a Força em atos na manhã de ontem em São Bernardo. "Nessa hora é que você colhe os frutos de manter uma política pé no chão, mais realista, de diálogo, pois os diretores da GM foram bem claros ao dizer que só aceitaram deixar os trabalhadores em licença remunerada pelo bom diálogo que têm com o nosso sindicato."

Na segunda-feira da semana passada, a GM dispensou 744 profissionais na unidade de São José dos Campos, cujo sindicato é filiado à Conlutas, central considerada menos aberta ao diálogo até por líderes da CUT.

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