A montadora americana General Motors anunciou que vai demitir mais 10 mil empregados administrativos este ano no mundo. Com isso, o número de empregados da empresa nessa área passará dos atuais 73 mil para 63 mil.

Em meio a uma crise sem precedentes, que se arrasta há anos, a GM vem apelando insistentemente para as demissões como uma forma de cortar custos. Em 2006, início do grande projeto de recuperação da empresa, mais de 30 mil empregados aderiram a um plano de demissões voluntárias, número até maior que o esperado pela empresa. Mesmo assim, nos anos seguintes, a companhia se viu obrigada a fechar fábricas e demitir mais.

Além dos cortes de empregos, a montadora também anunciou que vai reduzir os salários da maioria dos empregados administrativos entre 1º de maio e o final do ano. O salário básico dos executivos será reduzido em 10%, enquanto os ganhos dos outros empregados terão uma queda entre 3% e 7%. Essas medidas são o último esforço do grupo para cortar custos antes de apresentar ao governo americano, em 17 de fevereiro, o seu plano de reestruturação, sem o qual não terá acesso à ajuda financeira federal.

"Essas ações, apesar de difíceis, são necessárias diante da forte queda nas vendas de automóveis em todo o mundo e da necessidade da GM de se reestruturar para garantir sua viabilidade a longo prazo", informou a empresa em um comunicado. Nos Estados Unidos, serão eliminados cerca de 3,4 mil dos 29,5 mil empregos administrativos do grupo.

A GM do Brasil informou não ter detalhes se o corte de funcionários administrativos vai atingir a unidade brasileira. Já na área de produção, a empresa suspendeu este ano 802 contratos temporários que venceram na fábrica de São José dos Campos (SP). Outros 1,6 mil contratos da unidade de São Caetano do Sul (SP) que vão vencer até março também correm o risco de não serem renovados.

O anúncio da GM é mais um exemplo da gravidade da crise global, que já obrigou os principais fabricantes de automóveis do mundo a cortar salários, dar férias coletivas ou reduzir os horários de trabalho, fechar fábricas e diminuir a produção. Na segunda-feira, a Nissan, terceira maior fabricante de automóveis japonesa, anunciou a demissão de 20 mil empregados e a transferência da produção de alguns carros para fábricas fora do Japão, uma forma de reduzir custos.

Ontem, o presidente do grupo Renault-Nissan, o brasileiro Carlos Ghosn - que também é presidente da Associação das Montadoras Europeias -, disse que todas as medidas anunciadas até agora na Europa para ajudar as empresas do setor são "insuficientes", e pediu mais empréstimos a juros baixos. "As medidas tomadas até agora na Europa são insuficientes para as necessidades da nossa indústria", afirmou.

O presidente do grupo francês PSA Peugeot Citroën, Christian Streiff, disse que o mercado de automóveis vive uma "catástrofe mundial". Ele lembrou que mesmo mercados emergentes, como o brasileiro, o chinês e o russo, estão quase tão parados como o mercado europeu. Ele previu para seu grupo uma queda de mais de 20% nas vendas este ano.

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