O gás liquefeito de petróleo (GLP, o gás de cozinha) fica mais caro hoje para grandes consumidores que compram o produto a granel ou em botijões de 20, 45 ou 90 quilos. Segundo comunicado feito ontem pela Petrobras às distribuidoras, a alta será de 6% e não afeta os consumidores residenciais que comprem botijões de 13 quilos, cujos preços estão congelados desde 2002.

Já grandes condomínios que usam vasilhames maiores vão sentir o reajuste.

De acordo com o Sindicato Nacional das empresas Distribuidoras de GLP (Sindigás), o repasse ao consumidor deve ser integral. "O setor não trabalha com grandes estoques e vai tentar repassar totalmente o aumento", diz o superintendente-executivo da entidade, Sérgio Bandeira de Mello. Ele prevê, porém, alguma queda-de-braço com grandes clientes, como empresas dos segmentos de vidros ou cerâmica, que vêm encontrando dificuldades no repasse de qualquer alta de custo para o consumidor final.

Trata-se do terceiro aumento, neste ano, do GLP vendido para grandes consumidores: no dia 2 de janeiro, o produto subiu 15%, e em 1º de abril, 10%. Bandeira de Mello critica o que chama de "artificialismo exagerado" na política de preços da Petrobras para o GLP, uma vez que o preço do produto vendido em botijões de 13 quilos está congelado desde o final de 2002. Ele calcula que, hoje, a diferença de preços entre o botijão de 13 quilos e os outros vasilhames chegue a 50%.

"Que o preço do gás tenha de subir, tudo bem, já que o petróleo disparou. Mas o que nos preocupa são os preços diferentes para o mesmo produto", declara o executivo, que vê aumentar o espaço para fraudes no setor. A declaração sobre o destino do GLP é feito por cada distribuidora. "Algumas poderão dizer que vão envasar em botijões de 13 quilos e vender o produto mais barato a granel. Há um grande prêmio para isso."

Procurada, a Petrobras não se pronunciou sobre o tema. O congelamento do preço do botijão de 13 quilos foi decidido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda na campanha eleitoral de 2002, ano em que os preços aumentaram bastante - gerando críticas inclusive do então candidato governista, José Serra. Desde então, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço do botijão de 13 quilos para o consumidor final oscila em torno dos R$ 30.

Já o preço dos botijões maiores, ou do produto a granel, não é fiscalizado pela agência. Segundo dados do setor, trata-se de um mercado que representa 25% das vendas nacionais do combustível.

Bandeira de Mello diz que, com a alta de preços, a tendência é que alguns condomínios troquem os vasilhames de grande porte por baterias de botijões de 13 quilos, o que cria risco à segurança das instalações. "O botijão de 13 quilos não foi feito para isso e, em caso de uma explosão, a culpa acabará recaindo sobre a distribuidora", reclama o executivo.

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