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Gestores de fundos reduzem exposição às ações de mercados emergentes

SÃO PAULO - A pesquisa com gestores de fundos feita mensalmente pelo Merrill Lynch mostra uma reviravolta negativa e abrupta na percepção dos investidores sobre as ações de mercados emergentes. Olhando os dados de maio, 31% dos gestores tinham posições acima da média em ações emergentes. Agora em julho, apenas 4% deles mantinham tal posicionamento favorável.

Valor Online |

O maior ponto de preocupação é a inflação em alta, pois, na visão dos gestores, os emergentes são mais sensíveis aos ciclos de aperto monetário e ao menor crescimento da demanda doméstica. Quando questionados sobre o risco que os emergentes oferecem, para 23% a percepção é de risco acima do normal.

A melhor combinação para os mercados emergentes é commodities em alta e taxas de juros locais em baixa. A pior é commodities em baixa e juros locais em alta. O fraco crescimento global e a inflação estão aumentando os riscos para os emergentes. E é por isso que os gestores se tornaram muito mais cautelosos, disse o estrategista-chefe para mercados emergentes globais do Merrill Lynch, Michael Hartnett, em comunicado.

Falando em baixo crescimento, a pesquisa global apontou que 65% dos gestores de fundos globais estimam menor desenvolvimento econômico mundial, 43% esperam uma recessão no ano que vem e 83% afirmam que as estimativas para o lucro das companhias estão muito elevadas. No entanto, houve significativa melhora quando o assunto é inflação. O percentual daqueles esperando preços maiores caiu de 33% em junho para apenas 3% em julho.

Dentro da pesquisa para emergentes, todos os 169 gestores entrevistados esperam queda nos lucros nos próximos 12 meses - em junho, a leitura era de 79%. Para 63% deles, as ações emergentes estão com preço justo, mesmo percentual registrado em junho. O que chama a atenção é uma redução no percentual de gestores que aponta as ações como sobrevalorizadas, de 21% no mês passado, para 6% nesse mês. A demanda doméstica ainda é o tema preferido para investimentos e deve ser o motor dos mercados emergentes nos próximos 12 meses.

Quando questionados sobre qual região é a preferida para investimentos, os emergentes da Europa, Oriente Médio e África (EMEA, na sigla em inglês) ampliaram sua liderança, passando de 32% das indicações positivas para 50%.

A visão para a América Latina mudou, de 21% das respostas positivas em junho, para 13% das indicações negativas em julho. A aversão à Ásia diminuiu, mas ainda é bastante significativa, com 38% das respostas negativas, contra 53% no mês passado.

Dentro do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), a Rússia mantém a liderança como região preferida pelos gestores dentro de um horizonte de 12 meses. O país teve 44% das respostas positivas. O Brasil, que tinha a segunda colocação em junho, com 11% das indicações, está neutro agora com as respostas positivas e negativas se equilibrando. Tal percepção neutra também vale para China, que teve 32% das respostas negativas no mês passado. Já a Índia é o BRIC menos preferido com 44% das respostas negativas.

Os gestores também foram questionados em quais segmentos de mercado mantêm posições acima da média (overweight - OW) em comparação com o seu referencial. O setor de Energia é o único entre os 10 pesquisados que teve respostas OW. Todos os outros estão desacreditados, com destaque para o segmento de tecnologia, com mais de 65% das indicações abaixo da medida do mercado (underweight - UW).

O mesmo questionamento sobre investimento acima ou abaixo da média também é feito para avaliar o posicionamento dos gestores em 15 países emergentes. A Rússia segue liderando o ranking com 75% das respostas OW. O Brasil perdeu a segunda colocação para a Tailândia, que agora aparece com 13% dos gestores OW. O Brasil está empatado com a Turquia na terceira posição, com apenas 6% das indicações OW. No mês passado, o Brasil tinha 26% dos gestores OW, e em abril esse percentual era de 61%.

Em todos os outros 11 mercados acompanhados, os gestores mantêm posições abaixo da média. Índia e Chile seguem como os países onde os investidores têm as maiores posições UW, seguidos por Taiwan e África do Sul.

Foram entrevistados entre os dias 3 e 11 de junho 191 gestores na pesquisa global, responsáveis por US$ 610 bilhões, e 169 gestores nas pesquisas regionais, que administram US$ 393 bilhões.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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