O grupo siderúrgico Gerdau teve lucro líquido de R$ 1,420 bilhão no terceiro trimestre do ano, com aumento de 37,2% em comparação ao mesmo período de 2007, estimulado pela maior demanda em mercados como o Brasil e pela consolidação de empresas adquiridas recentemente. O grupo registrou expansão de 26,6% na produção de aço bruto, de 23,7% em produtos laminados e de 21,3% nas vendas no trimestre.

A geração de caixa, medida pelo Ebitda, cresceu 153,7% no terceiro trimestre em comparação com o mesmo período de 2007, para R$ 3,841 bilhão, puxada pelo melhor desempenho operacional e contenção de custos.

No Brasil, onde a produção do trimestre foi 17,6% maior, houve entrada de um novo alto-forno na Açominas. As vendas consolidadas de produtos siderúrgicos apresentaram queda apenas na América Latina, de 10,7%, mas a Gerdau observou que a demanda já tinha sinais de retração antes da crise financeira. O Brasil teve um ritmo de crescimento "robusto" até setembro, na definição do presidente da Gerdau, André Gerdau Johannpeter, que disse esperar a confirmação da expectativa de aumento de 15% da demanda este ano.

Ao abordar a crise financeira e seus efeitos sobre a economia real, Johannpeter disse que a Gerdau fará "ajustes" de produção de acordo com a demanda, sem especificar em que ritmo ou quais plantas poderão ser afetadas. Para esse processo, considerou que a Gerdau tem mais flexibilidade em comparação às usinas integradas, por trabalhar principalmente com sucata. No caso das integradas, que dependem de carvão e minério, os contratos de fornecimento de insumos costumam ser de longo prazo. Sobre as alternativas de ajuste, disse que elas serão combinadas "com a demanda do cliente".

No segmento de aços especiais, que vem sendo afetado pela retração na indústria automobilística, Johannpeter explicou que a estratégia é adequar a produção e estoques à queda na demanda, junto com a diversificação das vendas. A Gerdau deve intensificar a venda para segmentos que não sentem tão fortemente a crise como o automobilístico, que representa cerca de 70% da demanda desses produtos. As áreas de energia e indústria naval, para as quais já fornece, devem ganhar mais ênfase.

O plano de investimentos da Gerdau, de US$ 6,4 bilhões de 2008 a 2010, está mantido, mas devem ser revisadas as prioridades de início dos projetos e o cronograma de implantação.

No acumulado de janeiro a setembro, a Gerdau faturou R$ 36,2 bilhões, 44,1% acima do desempenho em 2007. As operações no Brasil geraram 37,8%, as da América do Norte contribuíram com 32,9% e a América Latina, com 10,5%. Os aços especiais responderam pelos 18,8% restantes.

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