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GERDAU busca novos mercados, evita falar de corte de produção

SÃO PAULO (Reuters) - A Gerdau,maior produtora de aços longos do Brasil, está ajustando sua produção para se adequar à demanda local e internacional, mas evita fazer comentários sobre cortes de produção diante do desaquecimento de setores importantes da indústria, como o automotivo. A companhia, cujas receitas de seu segmento de aços especiais, por exemplo, dependem em cerca de 70 por cento da indústria automotiva, está buscando outros mercados para conter os efeitos da queda na demanda das montadoras de veículos, decorrente da restrição de crédito provocada pela crise financeira internacional.

Reuters |

"Estamos buscando outros mercados também: energia, indústria naval, equipamentos; mercados que não estão vendo quedas tão grandes quanto estamos vendo no setor automotivo", disse o presidente-executivo da Gerdau, André Gerdau Johannpeter, em teleconferência sobre os resultados de terceiro trimestre da companhia.

"O segmento de energia continua com demanda boa comparado ao automobilístico. Ainda tem projetos andando mesmo com o petróleo a 60 dólares (o barril)", acrescentou.

Apesar da geração de caixa da Gerdau no trimestre passado ter disparado cerca de 154 por cento em relação ao obtido um ano antes (para mais informações sobre o balanço clique ), as perguntas na teleconferência de quase 1 hora se centraram em possíveis cortes de produção da companhia por conta na queda da demanda.

Em todas as vezes, Gerdau respondeu que seu grupo siderúrgico "está revisando as operações" e "vamos adequar à demanda", evitando citar números precisos. Segundo o executivo, no Brasil, o ritmo de crescimento da demanda por aço vinha crescendo "muito forte" até setembro, mas agora é preciso aguardar para saber se a prevista expansão de 15 por cento sobre 2007 será mantida.

Os comentários do executivo aconteceram pouco depois de a ArcelorMittal, maior grupo siderúrgico do mundo, ter divulgado que cortará sua produção em 30 por cento para fazer frente à redução do ritmo da economia mundial.

SUCATA

O vice-presidente de finanças da Gerdau, Osvaldo Schirmer, afirmou que como a companhia brasileira produz aço a partir de sucata, tem flexibilidade para fazer sua produção acompanhar de maneira muito mais próxima o mercado que usinas integradas.

"É difícil neste momento; não conseguimos avaliar com segurança quantitativa qual vai ser o impacto da demanda de uma forma geral --logicamente que impactos localizados nós já temos-- o que nos impede de dizer que vamos reduzir (produção) como o senhor Mittal afirmou sobre as operações dele", disse Schirmer.

Na comparação com o segundo trimestre deste ano, a Gerdau reduziu sua produção total de aço bruto em 1 por cento, para 5,58 milhões de toneladas, com o maior corte acontecendo na América do Norte: 4,3 por cento. Em laminados, a redução foi maior, 3 por cento, para 4,64 milhões de toneladas.

Gerdau negou que a redução na produção do período possa ser um indicativo para o comportamento da empresa no quarto trimestre. "O terceiro trimestre no hemisfério norte pega o verão (...) Por exemplo, na Espanha, os clientes praticamente param. Tivemos ainda a Olimpíada, que diminuiu a operação na China e feriados religiosos no Oriente Médio."

"Com relação aos mercados automobilísticos na Europa e Estados Unidos, vínhamos sentindo alguma queda na demanda e também na América Latina e isso talvez reflita nos números do segundo para o terceiro trimestres", disse o executivo.

Gerdau também negou rumores de que a empresa vai paralisar por 15 dias alto-forno na unidade Açominas, em Minas Gerais, voltada ao setor de construção civil.

O executivo afirmou que, apesar das incertezas geradas pela crise de crédito, a companhia manteve seus planos de investimentos de 6,4 bilhões de dólares entre 2008 e 2010. A previsão contempla gastos de melhorias e ampliações de usinas atuais e não aquisições. "Sem dúvida, o momento exige cautela, mas pode ser que surjam oportunidades (de aquisições)", disse o executivo.

Para fazer frente a esses investimentos no atual ambiente de restrição de crédito, o diretor financeiro afirmou que a Gerdau tem um caixa próprio de mais de 5,6 bilhões de reais e ainda conta com linhas contratadas de financiamento de 2,6 bilhões de reais.

"Nosso perfil de endividamento é superior a sete anos (...) o que é algo confortável com o compromisso, seja qual for a geração de caixa que tivermos", disse Schirmer.

Às 13h52, ações da Gerdau exibiam queda de 1,93 por cento, para 15,24 reais, enquanto o Ibovespa tinha queda de 0,89 por cento.

(Por Alberto Alerigi Jr.)

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