BRASÍLIA - A crise financeira reduziu as contratações formais em outubro a 61,4 mil vagas, pouco menos de um terço em relação aos 205,26 mil postos criados em igual mês de 2007. Mesmo assim, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, mantém sua previsão de que 2008 terá o volume recorde de 2 milhões de novos empregos, superando a melhor marca anual anterior, de 1,617 milhão novas vagas, ano passado.

A expectativa do ministro é baseada no acumulado dos primeiros 10 meses do ano, com 2,147 milhões, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). E ele está apostando que dezembro, mês que sazonalmente registra mais demissões do que contratações, deve fechar abaixo da média negativa de 300 mil.

"Muitas demissões já foram antecipadas", justificou Lupi, explicando que as empresas não só seguraram contratações, como demitiram mais no pico da crise financeira em outubro. "O travamento do crédito que começou em setembro gerou temor no empresariado", disse o ministro.

A seca no financiamento atingiu de forma bem direta o setor de construção civil, que gerou 2,149 mil vagas líquidas (admissão menos contratação), apenas 10% do total de 21,68 mil contratados em outubro de 2007. "Esse setor já está voltando à normalidade, com mais escoamento do crédito agora em novembro pelas medidas tomadas pelo governo", comentou Lupi.

Ele também citou que a entressafra agrícola contribuiu para que sete estados registrassem taxas negativas no mês passado, ranking liderado por Minas Gerais, com demissões líquidas de 29,43 mil. O ministro atribuiu a forte queda à entressafra do café, que também afetou a Bahia, com saldo negativo de 6,44 mil empregos.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

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