Lisboa, 26 set (EFE) - O milionário e filantropo americano George Soros pediu uma melhor regulação dos mercados financeiros internacionais, em entrevista publicada hoje no jornal português Jornal de Negócios. Penso que deveria haver uma melhor regulação. É um mal necessário, porque os reguladores também atuam sob conhecimento imperfeito e são tão humanos quanto os burocratas, que tomam decisões muito lentamente por estarem sujeitos a influências políticas, disse o milionário.

Em relação à atual crise do sistema financeiro americano, Soros afirmou que não é suficiente controlar oferta e procura, o que, disse, os bancos centrais fizeram até agora.

Ele ressaltou que é preciso exigir aos bancos margens de reserva mínimas, já que os requisitos atuais foram estabelecidos em uma conjuntura de euforia que difere bastante da realidade que hoje impera.

Soros destacou ainda que o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, agiu de forma correta na crise atual e que a saída desta não depende de suas decisões.

"Bernanke fez tudo o que um banco central pode fazer e continua nessa direção", ressaltou, após lembrar que, em janeiro, baixou os juros, o que, em sua opinião, "ajudou a moderar a crise econômica".

No entanto, criticou a forma de agir do secretário do Tesouro, Henry Paulson, que, para Soros, "podia ter atuado antes nos casos de Fannie Mae e Freddie Mac", as duas maiores companhias hipotecárias dos Estados Unidos.

"Deixou morrer essas instituições nas mãos da gestão, porque sabia que se tivesse passado um cheque em branco perderia o emprego", afirmou o milionário sobre a forma de proceder de Paulson.

Por outro lado, o financeiro insistiu na perda de peso do dólar como moeda internacional de referência, um lugar que, duvidou, o euro possa ocupar. EFE arm/db

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