O secretário do Tesouro, Timothy Geithner, exortou o Congresso americano a aprovar logo a nova regulamentação financeira, mas acabou tendo de se defender de ataques de republicanos, que pediram sua renúncia. Em depoimento no Congresso ontem, Geithner lembrou que o marco regulatório do sistema financeiro que falhou completamente, possibilitando a explosão da crise financeira, é precisamente o mesmo marco regulatório que nós temos hoje.

"Para assegurar a vitalidade, força e estabilidade de nossa economia, precisamos trazer o nossos sistema regulatório para o século 21; precisamos de uma reforma financeira abrangente."
Mas Geithner se viu na defensiva durante o depoimento, criticado por republicanos que o acusam de ter falhado nas medidas de recuperação da economia e nas ações para resgatar os bancos e a seguradora AIG. "O desemprego está explodindo, o déficit assusta, estamos reduzidos a implorar à China para comprar nossa dívida, e recebemos sermões de outros países sobre nossa situação financeira", disse a Geithner o deputado republicano Kevin Brady. "O público não confia mais na sua capacidade de trabalho."
Geithner não deixou barato: "Não concordo com quase nada que você disse. Vocês passaram para o atual presidente uma economia caindo em um precipício". O deputado republicano retrucou: "Desculpe, mas qual era mesmo seu posto quando o presidente Obama assumiu?" "Eu era presidente do BC de Nova York", disse Geithner.

Brady o acusou de não assumir sua parcela de responsabilidade pelos pacotes de resgate dos bancos e da seguradora AIG. Ao que o secretário do Tesouro disse: "As medidas adotadas eram absolutamente necessárias para quebrar o pânico financeiro, e sem elas a economia ainda estaria despencando, e não crescendo".

Brady voltou a dizer que o público havia perdido a confiança em Geithner. E gritou: "Este é o seu resgate! Este é o seu orçamento!" Geithner disse que reformular o sistema regulatório é essencial para que o país possa lidar melhor com quebras de instituições como a AIG - cujo salvamento ele supervisionou, na condição de presidente do Fed de NY. "Para lidar com a AIG, nós só tínhamos fita crepe e barbante."
O secretário do Tesouro deu o depoimento enquanto vários comitês do Senado e da Câmara tentam aprovar a reforma do sistema regulatório financeiro do país. Ele insistiu na criação de uma entidade para regulamentar produtos financeiros ao consumidor, medida que sofre oposição de bancos e da Câmara americana, além de mecanismos para desmembrar bancos ou instituições "grandes demais para quebrar", supervisionados pelo Fed.

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