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Geithner faz mistério e decepciona os mercados mais uma vez

SÃO PAULO - Na expectativa de que o secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, viesse na quarta-feira detalhar seu plano de socorro financeiro aos bancos em depoimento ao Congresso, os mercados globais operaram otimistas do início da manhã até ficar evidente que o funcionário de Obama não abriria o jogo. Ele não disse nada que já não havia dito na véspera, quando anunciou o plano.

Valor Online |

Os mercados ficaram apreensivos: ou o secretário, depois de esboçar as grandes linhas do seu projeto, não sabe para onde ele vai, ou o plano contém, escondido, um mecanismo qualquer de punição a acionistas dos grandes bancos que, se revelado antes do tempo, afundará o Dow Jones. Os mercados não sabem qual das duas opções é a pior.

O resultado é que o investidor torna-se mais arredio e foge do risco. O refúgio é o clássico mercado de títulos do Tesouro americano. O crescimento da aversão global a risco fez a taxa do papel de 10 anos do Tesouro recuar de 2,8154% para 2,7833%. Os mercados domésticos acompanharam a gangorra dos externos. A Bovespa chegou a subir 2%, mas fechou em baixa de 0,87%, com o índice a 40.568 pontos.

O dólar, depois de cair 0,92%, encerrou o dia com valorização de 0,26%, a R$ 2,29. Os juros futuros traçaram trajetória oposta. Do fechamento a 11,12% da terça-feira, o contrato de swap para 360 dias subiu a 12,40% para fechar a 11,09%. Os deslocamentos dos juros futuros são mais técnicos do que movidos por fundamentos.

Estes são por demais cristalizados - a atividade econômica fraca persistirá derrubando os juros domésticos a despeito de arrancos sazonais da inflação - para sustentar uma mudança de rumo consistente dos DIs.

O dado relevante do dia para o mercado futuro de juros foi a confirmação, pelo SPI - Sinalizador da Produção Industrial - de que as fábricas paulistas começaram 2009 debilitadas. Indicador antecedente da atividade fabril calculado pela FGV, o SPI conseguiu subir 5,7% em relação ao poço de dezembro, mas se a base de comparação for janeiro de 2008 há forte perda, de 14,9%.

Ou seja, não se deve esperar por melhora no começo de 2009 na pesquisa de produção industrial oficial, a do IBGE. O mercado de juros sustenta o consenso de que o Copom cortará a Selic em mais um ponto na sua reunião de 11 de março, para 11,75%, pois, enquanto as pressões de alta sobre os preços irão passar, as de baixa sobre a produção vão continuar.

O mercado de câmbio persiste ansioso por colher sinais positivos dos EUA para dar vazão à vontade de derrubar o dólar. Notícias domésticas alentadoras não faltam. A primeira veio do fluxo cambial positivo nos primeiros dias de fevereiro.

Segundo o Banco Central, até o dia 6, a balança cambial exibiu superávit de US$ 345 milhões. Os dois lados da balança foram positivos. Enquanto o prato comercial apresentou saldo de US$ 246 milhões - diferença de exportações de US$ 2,515 bilhões e importações de US$ 2,269 bilhões - o prato financeiro contabilizou entrada líquida de US$ 99 milhões (ingresso bruto total de US$ 4,048 bilhões e saídas de US$ 3,949 bilhões).

Ainda é cedo para se afirmar que o curto mês de fevereiro conseguirá romper uma triste fila de cinco meses de déficit cambial. O superávit registrado na primeira semana de fevereiro foi a razão tanto de o BC ter suspendido seus leilões de venda de moeda quanto de os bancos privados terem aumentado de US$ 701 milhões para US$ 1,019 bilhões suas posições " compradas " à vista.

Como o BC só se limitou a interromper seus leilões de venda sem desencadear os de compra, os bancos aumentaram o seu cacife para o fornecimento de dólares em caso de demanda. Isso suaviza o rebote do dólar se houver muita saída de capital.

A segunda boa notícia cambial veio do leilão de empréstimos à exportação feito pelo BC. Se os planos de Obama não conseguem restabelecer o livre fluxo das linhas comerciais externas, o BC garante os recursos. No leilão de empréstimo de dólar com garantia em contratos para o financiamento de exportações realizado no início da tarde, ele se dispunha a colocar US$ 1 bilhão.

Aceitou 16 propostas e vendeu tudo, demonstrando que a demanda foi forte. Como o BC não faz negócios diretos com exportadores, leilões como o de ontem suprem de liquidez os bancos que não conseguem renovar linhas externas. E, se as encontram, pagam taxas exorbitantes. Após absorvidos dólares das reservas do país, as instituições dispõem de um mês para liberá-los sob as rubricas do ACC e do ACE.

Tais contratos fechados com exportadores são, depois, depositados no BC como garantia para empréstimos mais longos. A lição é de que o governo Lula não deve esperar que os EUA resolvam a crise bancária deles para só então agir sobre os escombros. Precisa atuar firmemente para desenvolver soluções caseiras como se a crise ainda demorasse muito para ter um fim. 

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