WASHINGTON (Reuters) - O secretário norte-americano do Tesouro, Timothy Geithner, criticou duramente na quarta-feira os banqueiros por terem criado uma nociva falta de confiança, mas disse que a nacionalização dos bancos seria uma estratégia ruim para os EUA. Em entrevista ao programa NewsHour, da rede pública PBS, Geithner se disse profundamente ofendido pela qualidade dos julgamentos que vimos na liderança das instituições financeiras da nossa nação.

"Eles criaram um profundo buraco de desconfiança e ira pública que é enormemente nocivo, e eles têm a imensa obrigação de tentar restaurar a confiança básica. E vamos garantir que façam isso garantindo que nossa assistência (do governo aos bancos) venha com condições", afirmou.

No dia em que as agências reguladoras lançaram um programa que submeterá cerca de 20 dos maiores bancos do país a um "teste de estresse", Geithner disse que o Tesouro permanece preparado para ajudar bancos que precisem de mais capital para sobreviver a condições piores que as previstas.

O governo poderia acabar tendo participação acionária direta nas instituições que receberem capital sob o novo programa de ajuda do Tesouro, mas não irá administrar os bancos nem nacionalizá-los.

"Acho que essa é a estratégia errada para o país, e não acho que seja a estratégia necessária", disse Geithner sobre a nacionalização. "O que precisamos fazer é garantir que essas instituições tenham os recursos necessários para realizar sua função crítica em uma base contínua na nossa economia como um todo."

O secretário afirmou ainda que pode haver casos em que os bancos recebam "níveis excepcionais de apoio", mas que isso acarretará condições para que eles se reestruturem e fiquem mais fortes, com condições de substituírem o capital do governo por capital privado assim que possível.

Os termos do Programa de Assistência de Capital, no qual o governo compra ações preferenciais conversíveis em ações comuns, são "caros e não-atraentes" justamente para fornecer "um grande incentivo" para empresas que busquem o capital privado, disse.

Geithner prometeu que irá "relativamente rápido" dar mais detalhes sobre o seu plano de estabilização financeira, particularmente para planos de apoio aos mercados de crédito por meio de "programas de empréstimo diretos muito grandes, agressivos e dramáticos".

(Reportagem de David Lawder)

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